hello there
vulcano
@fuckaneurysming
maiamero, 21 • conjunto expositivo de poesias visuais e textuais. expresso as minhas emoções com todas as linguagens que posso dominar e algumas vezes, utilizo a do outro para ser compreendida.
6 notes
  • Esther Sarto

  • 1623194839
  • a vida acontece
    e o milagre do nascimento é uma luta
    impulsionado para essa terra estranha,
    desde o primeiro respiro é necessário se erguer
    há combates fáceis e árduos; há guerreiros e sobreviventes
    em um ringue,
    bota-se as ataduras e eleva-se
    esperando vencer

    bom,
    eu não tenho vencido nada
    sinto que meu oponente sou eu
    eu que me conheço e eu que não tenho mais forças
    eu que quero desistir e eu que acredito não poder
    eu que tenho uma teimosia tão profunda quanto esse solo
    eu que tenho cicatrizes extensas como os rios do himalaia

    eu não sou calma, eu não sou veloz, eu não sou flexível
    eu já nem sou mais brasa, acredito que seja cinzas

    vejo, dentro de mim, a cólera do fim da guerra
    uma batalha egoísta que não entendo,
    mas que existiu e findou-se
    sem ganhos e com muitas perdas
    a impermanência não é o fim, a morte não é o que sepulta;
    a rigidez dos meus sonhos é
    um futuro inelástico é a única possibilidade não viável que assisto,
    que sinto e na qual, hipoteticamente, sobre"vivo".

  • 1 note
    1620580011
  • é como uma agulha no dedão
    tão profunda que não sou capaz de tirar,
    minha inflexibilidade não permite que eu a alcance
    a dor me faz buscar uma distração e logo me enrolo n'uma teia;
    mexo de um lado para o outro
    e sou transpassada pelo desconforto
    por que tenho que me acostumar com isso?
    por que estou tentando tornar isso comum?

    tão dolorida e sensibilizada -
    ainda assim, não sou capaz de ser ouvida pelos demais
    ninguém mais pode me salvar e isso me torna tão solitária
    anseio transformar o meu coração; uma rocha
    parece oportuno torná-lo em carvão
    posso facilmente queimá-lo até as cinzas e sucumbir
    ou manchar a todos por isso
    quero culpá-los [e essa amargura também pinta o meu interior]
    impactar suas almas para que o grande Juiz possa julgá-los
    mas todas essas memórias são criadas pela minha mente
    como posso parar de alimentá-los?
    como posso deixá-los me controlar?

    acreditei que o sofrimento poderia me tornar mais forte,
    mas corrompi o meu sistema com essas ideias -
    desde quando deixei de ser um organismo vivo para ser virtual?
    atravessada e modificada pelo exterior,
    não encontro um conforto nessa existência
    [sozinha ou comigo,
    sozinha ou com os outros]

  • 1 note
    1620579756
    507 notes
  • Courier of the Sun, oil painting by montiljo

  • 1618838940
  • os Tempos inférteis chegaram
    e me pergunto como a existência das pessoas continuam
    pois pareço ficar presa em uma redoma
    [sem tempo]
    onde os pensamentos quase não chegam
    e as emoções se enrolam em seu próprio fluxo
    intercalando-se
    tudo está à flor da pele,
    mas não há nenhuma semente aqui
    a única vida presente, sou eu, e chego a duvidar disso
    as palavras alheias sussurradas chegam como uma lembrança antiga no fundo do meu cérebro:
    “a monotonia é uma oportunidade de se reinventar”
    mas todo o meu interior está apodrecendo
    -
    o último figo que caí e fica a mercê das possibilidades
    não servi de alimento, não fui pisada e estou intocada
    deteriorando de fora para dentro e algumas vezes, de dentro para fora
    como os artistas sobrevivem?
    mais do que um luto; este intervalo não para
    é melancólico e árduo
    o ar é tão denso que pesa nos pulmões e quase o vemos trazer a nossa permanência
    não há permissões para rezas [seja de agradecimento ou pesar]
    só o sentir
    mas já senti um ciclo inteiro e estou desaparecendo
    os Tempos inférteis chegaram
    e estou sucumbindo [a Eles]. 

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    1618838762
  • image

    Evgeniya Frolova

  • 324 notes
    1614644534
  • dia após dia,

    o cansaço de amar bate na minha porta

    eu que estava tão acostumado a balancear na cadeira

    - exilado -

    e olhar para a imensidão de um deserto

    tenho recebido visitas constantes

    implorando um pouco de pão e um pouco de colo

    mas há tão pouco para um velho como eu

    voltei de guerra a cinco anos atrás e me escondi nessa cidade esquecida por deus

    o sol banha todas as minhas feridas

    e deixa as cicatrizes mais evidentes

    tenho esvaziado a dispensa para dar aos necessitados

    esquecendo que vou sumindo junto dos cuidados

    querida, faz um tempo desde que alguém se atentou aos meus machucados

    mas pior do que o vermelho na pele

    é o buraco na minha alma que não pode ser visto por esses olhos

    a solidão da casa combina um pouco com a dor da guerra

    mas enquanto, eu lutava para viver do outro lado do mundo

    aqui me encontro batalhando para sobreviver mais um dia

    e gostaria de não te desanimar,

    mas meu sonho está desaparecendo como a vegetação escassa 

    quero encher o meu copo com álcool, mas prometi a mamãe que não voltaria para essa vida boemia

    a verdade é que me transformo em alguém que não me orgulho

    no entanto, já não gosto muito de quem eu sou agora

    estou me perdendo quando dou tudo de mim para os outros

    o autocuidado não é uma prática ensinada aos homens da minha época

    e como o cenário que eu encaro pelas manhãs

    pareço um pouco esse ermo 

    - infértil e vazio -

    oco do amor que nunca dei para mim ou recebi em troca

    e vou seguindo,

    dia após dia,

    esforçando-me para ser gentil com esses desconhecidos

    até que chegue a minha hora.

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    You need to relax and rest.

    (via amargedom)

    [tradução]: você precisa relaxar e descansar.

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