estar contra si mesmo é a ação mais danosa para alma e o espírito. acredito que nasci pelo sopro da tirania com um caráter duvidoso para o auto-cuidado. o ódio que exerço sobre o que deveria ser minha paz é digno de uma travessura do diabo. atormenta o sono, a saúde, a confiança, o líbido e todas as possíveis relações.
fecho os olhos, aguardando pela realidade paralela que deveria ser construída mas sou consumida pela mesmice dos meus pesadelos. lido com os sonhos como alguém enfrenta problemas. acordo abatida e sou obrigada a seguir. quase que sigo tranquilamente se não fosse pelo meu corpo que somatiza todas as agressividades imaginárias e falhas paternais onde acabo agonizando, ponderando que logo será o meu fim por tanta aflição que sinto. na cabeça, no estômago, na vitalidade. quase paro de viver pelas antigas vivências que fui submetida. como estar preparada para o insólito? carrego a mim como um corpo machucado em batalha. sei que atrapalha, assusta, aborrece e abala. questiono até quando serei o meu próprio obstáculo? e me recordo que sou também a minha contraditora.
vítima, suspeita e bárbara. não posso descansar com a minha mente, não sou capaz de tirar a armadura de batalha. não vivo, permaneço lutando - raramente ganhando, mas tentando - e lentamente perco a vontade, o desejo e a curiosidade de estar aqui.
este jogo que entrei para fugir do que não entendia, acabo me ferindo mais do que a verdade poderia fazer e permaneço presa em uma função onde sou apenas a aniquiladora - desequilibrando toda ordem natural.









