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vulcano
@fuckaneurysming
maiamero, 21 • conjunto expositivo de poesias visuais e textuais. expresso as minhas emoções com todas as linguagens que posso dominar e algumas vezes, utilizo a do outro para ser compreendida.
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  • estar contra si mesmo é a ação mais danosa para alma e o espírito. acredito que nasci pelo sopro da tirania com um caráter duvidoso para o auto-cuidado. o ódio que exerço sobre o que deveria ser minha paz é digno de uma travessura do diabo. atormenta o sono, a saúde, a confiança, o líbido e todas as possíveis relações.

    fecho os olhos, aguardando pela realidade paralela que deveria ser construída mas sou consumida pela mesmice dos meus pesadelos. lido com os sonhos como alguém enfrenta problemas. acordo abatida e sou obrigada a seguir. quase que sigo tranquilamente se não fosse pelo meu corpo que somatiza todas as agressividades imaginárias e falhas paternais onde acabo agonizando, ponderando que logo será o meu fim por tanta aflição que sinto. na cabeça, no estômago, na vitalidade. quase paro de viver pelas antigas vivências que fui submetida. como estar preparada para o insólito? carrego a mim como um corpo machucado em batalha. sei que atrapalha, assusta, aborrece e abala. questiono até quando serei o meu próprio obstáculo? e me recordo que sou também a minha contraditora. 

    vítima, suspeita e bárbara. não posso descansar com a minha mente, não sou capaz de tirar a armadura de batalha. não vivo, permaneço lutando - raramente ganhando, mas tentando - e lentamente perco a vontade, o desejo e a curiosidade de estar aqui. 

    este jogo que entrei para fugir do que não entendia, acabo me ferindo mais do que a verdade poderia fazer e permaneço presa em uma função onde sou apenas a aniquiladora - desequilibrando toda ordem natural. 

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  • wordsnquotes

    “How many times have people used a pen or paintbrush because they couldn’t pull the trigger?”

    Virginia Woolf, Selected Essays.
    (via wordsnquotes)

  • fuckaneurysming

    [tradução]: quantas vezes as pessoas usaram caneta ou pincel porque não conseguiram puxar o gatilho?

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  • eu preciso ser sincera. organizar toda a loucura que surge diariamente na minha cabeça, porque toda essa situação está criando uma culpa imensa que transforma o meu emocional em mármore e a vida é um grande mar. afogo. afundo. quase que desapareço. torno-me uma mobília de um ambiente não propício. 

    não importa quantos passos esteja dando na direção certo, a minha consciência me traí e recolhe as pedras do caminho para prender a nuca. pesa e pesa tanto que facilmente me viro para ter certeza, para corrigir erros que não existem. eu sinto tanto medo e não imagino como alguém possa viver diariamente com esse sentimento. isso não é normal, então entro numa breve conclusão de que estou apenas sobrevivendo. e não posso afirmar que estou fazendo bravamente. sou fraca e covarde. 

    covarde. assumir isto é como arrancar minha pele. dolorido e satisfatório. arde, sangra e sensibiliza. sou covarde, porque sou extremista. não sou capaz de enxergar uma situação onde a morte não é iminente por conta da minha necessidade de tudo. tenho delírios violentos. a vida-morte-vida corre em minhas veias como fogo sob pólvora. a selvageria rege tudo menos a persona e costumo necessitá-la em sociedade. a sociedade me colocou nessa gaiola onde meu inconsciente dorme, hiberna, morre. 

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    Healing from trauma is understanding that the war is over even if you can never again remove your armor.

    Juansen Dizon (via juansendizon)

    [tradução]: curar de uma trauma é entender que a guerra acabou mesmo que você nunca mais possa remover sua armadura.

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  • grecco,

    escrevo essa carta muito antes de você saber ler e provavelmente distante o suficiente do tempo onde as palavras tenham a força para me afetar.
    eu não lembro do tempo que você estava na barriga da sua mãe, a verdade é que parece um grande corte na minha memória e a única coisa que reconheço é que não te conheci ou conversei com você até poder te olhar.
    no dia em que nasceu estava frio o suficiente para que tudo me deixasse desconfortável e só gostaria de voltar para minha casa e te visitar nos dias seguintes, mas foi uma emoção receber a sua fotografia do outro lado da sala e depois te ver pelo vidro da maternidade.

    eu aprendi a te amar.

    desde o começo quando a sua mãe ficou apavorada por não saber como trocar uma fralda ou quando foi necessário ficar com você para que ela pudesse ir ao hospital com dores agudas.

    toda a situação em que você apareceu - fez com que surgissem frutos em mim para ser capaz de ajudar ou de ser alguém na situação. eu me sinto responsável pela sua criação.

    antes mesmo de receber o título de madrinha ou até mesmo que você pudesse falar “titi”, eu te roubava do berço quando você acordava para te colocar sob meu estômago, te colocava entre minhas pernas e balançava até você babar e fazia palhaçadas para que você pudesse sorrir.
    eu nunca realmente gostei de um bebê até você surgir e notar que não havia nada mais doloroso do que seu choro e nada que partisse meu coração mais do que a sua tristeza.

    hoje parece que ser sua madrinha era coisa do destino. tinha que ser e não poderia ser diferente. não existe nada que eu ame no mundo mais do que você. mais do que ver a sua felicidade passando diante dos meus olhos.
    eu amo o fato de ter sido próxima o suficiente para te ensinar muitas palavras mesmo que grandes parte delas fossem comidas, pra ter ouvido você balbuciar e se contorcer em emoção, pra ter te levado pela primeira vez em vários lugares, pra ter te pego no colo e ainda te pegar (até que realmente seja difícil te segurar) porque nada me tranquiliza mais do que você em segurança ao meu lado. eu amo o fato de semana passada ter dado banho em você, segurando você no meu colo e brincado de jogar água no seu rosto. eu amo o fato de que quando estou ao redor, você me chama vezes o suficiente pra eu ficar exausta - mas não trocaria essa preferência por nenhuma outra paz.

    a verdade é que eu me sinto mãe sem ser. eu me sinto obrigada a tentar te guiar para o melhor e estar ao seu lado para te assistir, apoiar e se necessário, te repreender. porque se no começo havia aquele sentimento de “tia só aproveita o lado bom”, eu te digo que também vou passar maus bocados e não tem nenhum problema nisso, porque o amor que eu tenho por você é incalculável. é a primeira coisa no mundo que eu realmente acredito ser infinita. o amor que tenho por você.

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    1539041900
  • quanto tempo leva até conseguirmos introduzir a nossa própria consciência pra uma realidade contraditória? quanto tempo para conseguirmos nos desapegar do que nossos olhos vêem e do que nossos ouvidos ouvem? quanto tempo para sermos mais do que esses corpos que costumamos usar como prisão ao invés de um artificio de liberdade?


    eu ainda estou reaprendendo sobre ser mais que humana. sobre realmente ser.
    descobrindo que não vou me tornar mais feliz por poder comprar ou adquirir mais coisas, que não é ficar enfiada em um ambiente exercendo uma profissão que vou ficar mais satisfeita, que não é emagrecendo mais alguns quilos que vou me sentir bem o suficiente com o meu corpo, que não é ganhando vantagem ou sendo rotulada como a melhor que vou me sentir completa. isso é apenas meu ego tentando me sabotar, colocando-me mais longe do que realmente devo fazer ou do meu potencial. 


    eu quero ser livre, mais do que ser, exercer a minha liberdade. eu desejo que toda culpa que carrego acabe dissipando no ar. eu espero entender a divindade dentro de mim. eu quero lutar contra a injustiça, a violência e a ignorância, mas antes de tudo, desejo para de ser sempre “eu” e mais “estar”. quero estar apta para amar incondicionalmente e ficar próxima de todas as energias positivas. quero estar forte e mais lúcida para viver com todo meu espírito.

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