o dia de hoje é um exemplo básico de como tenho vontade de chutar o pau da barraca e me afastar de tudo que considero importante mesmo que a possível onde de depressão tenha surgido por eu acreditar que ninguém se importa comigo. que eu estou loucamente solitária no universo. eu realmente me sinto só e o pior é que me sinto assim ao estar na presença das pessoas da minha casa. deus sabe como eu já me esforcei para que as coisas funcionassem normalmente nesse departamento da minha vida. mas eu não posso ser responsável por ações que não são realizadas por mim. então sim, eu estou cansada para um caralho da minha madrasta. eu fico constantemente comparando a minha realidade com dos meus amigos, mesmo os que não tem pais presentes, costumam ser mais abertos e receptivos para algumas tarefas. eu fiquei tão presa de ter que assumir responsabilidades por absolutamente tudo na minha vida que fico paranoica sobre as escolhas dos outros, que preciso rever minhas opções e que definitivamente não quero sair da minha própria casa porque posso ser atacada e essa é a vida adulta. ter que lidar sozinho com as coisas. eu nunca tive o colo da minha mãe para chorar sobre eles. eu ainda morro de medo de abaixar minhas armaduras e pedir ajuda porque mesmo quando peço, acabo negando. após ler dois capítulos de um livro que pensei que poderia ser um ótimo jeito de abalar a negatividade, eu percebo a quantidade de vitimismo que coloco na minha vida. nem mesmo quero me encontrar com uma amiga de infância por saber que não tenho o mesmo significado que os amigos tão antigos quanto eu porque eles permaneceram ativos na sua vida e eu sou uma mera lembrança. eu sou um parabéns distante e eu nem mesmo fiz muita questão antes. eu me afasto das pessoas porque não consigo mais aturar os problemas delas quando não consigo resolver os meus. e isso é tão sincero que eu me envergonho. eu tenho tanto medo de virar um fracasso que eu nunca arrisco muito e isso é muito considerando que eu gostaria de fazer alguma mudança considerável na vida dos outros, mas como o faço quando não me movo para fazer algo por mim?
eu quero chutar o pau da barraca porque não quero ser responsável pela situação que estou. eu deveria estar lendo e finalizando o meu artigo para a faculdade e eu só consigo pensar em como as coisas estão erradas e como gostaria de ter um lugar que encontrasse paz. eu gostaria de passar dias dormindo, mas então eu tenho esses sonhos bizarros onde eu sinto vontade de fugir. vejo os meus maiores medos nos meus sonhos, porque eu enxergo não só minhas falhas, mas as grandes lacunas existentes ali. eu sei que meus pais não ajudaram muito na minha criação, todos os meus valores foram baseados na internet, nos filmes, nos livros e posso dizer que mesmo a minha noção de amor é tão romantizada que intoxica. eu tive péssimas e grandes amizades que me botaram na lama e outras que me ajudaram em uma verdadeira limpeza. eu realmente quero organizar as coisas, mas parece que se eu for tentar falar a respeito de tudo isso, vou acabar cuspindo na cara das pessoas porque todos esses sentimentos são ácido no fundo do meu estômago.
by Brittanie Loren
como as pessoas vivem grandes rupturas? eu sempre pensei que deveriam ser começos gloriosos e sinais da vida para que você pudesse estar em um lugar melhor ainda. mas agora sinto que todos os momentos da minha vida são rupturas gigantescas e eu acabo escorregando para dentro do imenso escuro. não consigo sair disso.
me every morning
“Something is wrong with me. It all means nothing. / Only for a long time now our hearts / Have seemed like dead scorpions / In our bodies sealed like jars of spirit.”
— Lawrence Durrell, from Sappho: A Play in Verse
tradução: alguma coisa está errada comigo. tudo isso não significa nada. só por muito tempo nossos corações pareciam escorpiões mortos em nossos corpos selados como potes de espírito.
eu não sei porquê existe esse buraco em mim. e eu não sei porquê não consigo encontrar um conforto pra mim. eu sei que estou resistindo a um milhão de coisas. e sei também que não se pode ser curado onde se foi ferido. e no meu caso, foi dentro de casa. foi pelos meus familiares. os que eu digo que tanto necessito. parece uma grande piada de mau gosto. eu quero encontrar uma razão pela qual estou viva. eu quero ter amigos incríveis ao meu redor. eu quero segurar a mão da pessoa que eu amo. eu quero ser tão corajosa e audaciosa como fui. eu quero parar de me perguntar o porquê de estar aqui e começar a aproveitar. e querer tem matado tudo dentro de mim. eu sinto que estou melhor quando sou obrigada a sair daqui. mas eu tenho medo do que pode acontecer lá fora. eu tenho lutado dentro da minha cabeça tentando decidir o que preciso ou não. eu tenho pavor de acordar na madrugada e saber que estou sozinha. eu sempre reclamei das pessoas abertamente que não sabem ficar sozinha ou estar dessa maneira, mas de um dia para o outro, me tornei. e eu sei o porquê. eu sempre senti que minha mãe havia me abandonado e senti que meu pai havia me largado quando casou novamente. e todas as amizades que tive nunca me amaram como eu as amava. tudo sempre acabou de maneira trágica. e passei tanto tempo absorvendo tudo que agora parece que tenho um monte das mesmas coisas para sentir e me machucar. talvez eu sei o porquê desse buraco em mim, mas eu queria ser mais forte pra que não tivessem feito e hoje me afetasse dessa maneira. e nunca teve como encontrar um conforto quando todos se vão e você é quase um vira-lata.
eu constantemente os culpo, mas também me culpo.
por que continuam colocando crianças no mundo se não são capazes de amá-las, educá-las e cuidar de seus corações?
nós sentamos no banco e a realidade começa a parecer mais forte. eu sinto medo, eu sinto medo de tudo. porque me vejo como um ser frágil e vulnerável entre a multidão. meu coração é bom, mesmo que há dias em que eu tenha dúvida disso. e o coração do mundo todo está apodrecido ou no mínimo, intocável. todas as coisas podem dar errado. o mundo todo está atrás de mim e me quer morta. o universo está literalmente me chutando para fora, enquanto imploro por uma chance. como posso querer morrer se tenho tanto medo de ser morta? eu quero ter o controle de tudo e estar fora da minha pequena zona de conforto me oferece tantas possibilidades que eu posso ser esquecida de um dia para o outro. eu preciso ser lembrada. eu sei que minha família não me ama o suficiente e não tenho amigos que gostem de mim. minha cabeça diz isso todas as noites antes de que eu finalmente consiga descansar. e encontro obstáculos em meus sonhos. tenho sempre que fugir, tenho que sempre me esconder e quando acordo, a fuga continua. mesmo quando encosto minha cabeça em seu peito e você acha que penso que não funcionamos mais. eu só penso em quão perdida estou e se existe uma chance para eu me encontrar. o que eu fiz? o que fez com que eu chegasse até aqui? é uma penitência ou um teste? o que preciso fazer para viver ao invés de sobreviver? gostaria que meus pais olhassem para mim e falassem que tudo vai ficar bem, porque não sou mais capaz de dizer isso pra mim.
eu estou cheia de questões na minha cabeça que quando decido que está na hora de colocá-las para fora. todas parecem se escondem nos cantos mais obscuros da minha mente de modo que eu não posso retirá-las sem me machucar. mais do que estou. mais do que já fiz. mais do que já faço. não são exatamente perguntas, mas sentimentos ambíguos e possivelmente teóricos que precisei plantar “e se” várias vezes antes deles. eu não sei o que vai. e sei que ninguém sabe o futuro. mas tenho medo de não sobreviver ao amanhã mesmo que hoje eu queira morrer. porque não vivi o suficiente para me ver prosperar. eu tenho apenas dezenove anos e de nenhuma maneira atingi o que chamam de auge em qualquer espectro da minha vida. eu não criei nada que tenho orgulho. eu não formei minha própria família. eu sequer tive o meu primeiro emprego. eu não li todos os livros que gostaria e não assisti aos filmes que desejo. eu não pisei fora do país. e eu só consegui adquirir medo de cachorros. como isso pode ser uma vida suficientemente vivida? eu ainda tenho medo de ser abandonada pelos meus pais como quando uma criança se perde dos seus no supermercado. eu juro que ainda enxergo bichos fantasiosos no silencioso escuro. como eu posso viver uma vida com tantas assombrações? possíveis e imaginárias.