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vulcano
@fuckaneurysming
maiamero, 21 • conjunto expositivo de poesias visuais e textuais. expresso as minhas emoções com todas as linguagens que posso dominar e algumas vezes, utilizo a do outro para ser compreendida.
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  • excerpt from Hurry, Octavio Paz.

    In Octavio Paz: Selected Poems, ed. Eliot Weinberger

  • fuckaneurysming

       Desde quando eu abri meus olhos pela primeira vez, eu sabia que meu lugar não era aqui onde estou, mas onde eu não estou e nunca fui. Em algum lugar há um lugar vazio, e esse vazio será preenchido comigo e eu vou me sentar naquele buraco que vai me incomodar, borbulhar comigo até que ele se torne uma fonte ou um gêiser. E então meu vazio, o vazio do eu que eu sou agora, vai se encher de si mesmo, encher até a borda de ser.
       Estou com pressa de ser. Eu corro atrás de mim, atrás do meu lugar, atrás do meu buraco. Quem me reservou esse lugar? Qual é o nome do meu destino? Quem e o que é que me move e quem e o que aguarda a minha chegada para completar e me completar? Eu não sei. Estou com pressa. Embora eu não me afaste da minha cadeira, embora eu não saia da cama. Embora eu rode e gire na minha gaiola. Pregado por um nome, um gesto, um tique, eu me desloco e despareço. Esta casa, esses amigos, esses países, essas mãos, esta boca, essas letras que formam essa imagem que, sem aviso prévio, desapareceram, não sei onde e me acertou no peito, esse não é meu lugar. Nem isso, nem esse é o meu lugar.  

    [tradução livre]

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  • eu tentei dormir agarrada ao meu travesseiro porque algumas vezes nossos pensamentos encontram-se tão divergentes que me sinto solitária mesmo em grande companhia. eu me afasto de todas as coisas que me lembram a você pois sei que estou quebrada antes mesmo de cair ao pedaços. eu não quero as suas palavras de rejeição, mas é óbvio que as terei para que me sinta o cervo diante do farol que é arremessado para o outro lado da estrada por ser ingênuo. eu não posso dizer o quanto me machuca porque assinaria o meu atestado de óbito e na autópsia diriam que eu sempre estive doente - quando meu distúrbio foi amar demais.  


    todo ouro que eu toco acaba enferrujando.

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  • meu humor é essa montanha russa que eu gostaria de controlar só para que fosse mais fácil para você estar perto de mim.

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  • fico magoada quando me desgasto durante o dia para que você sinta um pouco a mais do amor que tenho para lhe dar e você some. 


    a verdade é que você tem desaparecido muito e quando surge é como essa pessoa que não pode aceitar respostas negativas porque a rotina lhe rejeitou o suficiente para aguentar. o que você tem feito na sua própria cabeça? apesar de ser auto-destrutiva, acredito que meus balanços de energia permanecem os mesmos, com as atitudes de meses atrás e não mudo a essência que quase me amaldiçoa, mas quase não o reconheço com a nova máscara que utiliza. você está quebrando e não é pelas bordas, mas nas trincas da sustentação. como amadurecer pode ser tão desprezível?


    19:16, eu quero escrever tantas coisas, mas sinto medo de onde isso pode me levar. como se eu reconhecer o que há com você pudesse destroçar a mim mesma. eu pergunto se você me ama pois já não é a mesma pessoa que me amava naquele dia em que adormeci em seu colo enquanto tinha os dedos em meus cabelos. eu sinto muito, meu amor. você está permitindo que a vida lhe endureça (mais).

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  • só conheci a minha dor 
    e logo, 
    dela eu me alimentei.

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  • foi difícil cair no sono nessa madrugada e mesmo deitada na cama, as palavras que eu desejava escrever ficaram rondando a minha cabeça como se precisassem ser exteriorizadas para que o sentimento de lucidez permanecesse. eu me afasto porque estar perto é um veneno apesar de ser antídoto, porque você não pode me amar até que eu derreta como o sol faz com congelados e apesar da minha intesidade de afeto só posso fazê-lo em horas exatas, jamais de maneira contínua e encontro a minha dualidade como enxergo a sua onde há necessidade de espaço, mas por que o deseja quando sua companhia parece oxigênio para mim? e assim, sei que não devo me aproximar mais, que não devo me abrir mais do que fiz, porque se você já causa essas desgraças com apenas feixes da minha sensibilidade, imagine com uma grande lacuna. eu não sei amar e apesar dessa verdade trágica, eu tento, mas como de costume, destruo tudo - se não for pra te colocar em pedaços, então faria de mim outra pessoa. como alguém que nunca recebeu amor pode saber como amar? eu não acredito que tenho sido amada o bastante para saber ou lembrar dos atos, do conforto. por que tudo é tão distorcido nessa minha realidade? parece que quando tento andar em estradas retas, meus pés entortam para que eu entenda que ali não é o meu lugar. ser saudável não é para mim e como eu gostaria de ser, mas isso é diferente. não fico impressionada pelas idas das pessoas, antes das próprias fazerem é quase como se eu abrisse mão para que não as sufocassem ao tentar porque é o que meu apreço faz, afoga, esmaga, deforma e apesar do medo extremo de ser abandonada, tento fazer com que todos os façam porque sei o quão árduo é estar ao meu lado - sem saber o que essa cabeça realmente pensa. amaldiçoado sejam os meus sonhos que me contam verdades enquanto durmo e parecem permanentemente mais real que a vida de olhos abertos.

    12:51, escrevo agora porque não é seguro conversar, a minha casa não é um bom lugar para contar segredos e por fim, tudo foi vomitado.

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    1513050671
  • a verdade é que eu me vejo parada enquanto o mundo muda. quando era mais nova, tinha o costume de pensar que a realidade dos outros só se tornavam interessante pela minha presença - como se eu fosse o caos que faz tudo acontecer, mas ao ficar muito tempo próxima, atenta como os mais velhos que esperam notícias todas as noites, percebia que tudo era igual, a evolução estrondosa não parecia nada com um peão girando, mas como uma criança que tenta dar os seus primeiros passos. e logo me convenci de que não valia a pena estar ao lado deles, que essa rotina que desafia era tediosa apesar de ousada e sempre precisei de constante movimentação (atenção). e entendi que meu lugar na vida de algumas pessoas era ser telespectadora, agir como um sujeito observador e seguir. mas essa semana, a vida tem me sacudido para cada lado que eu não pude deixar de olhar para trás e buscar as pessoas do passado no presente e o caminho que tomaram surpreende ao ponto de me cegar. nunca soube quem elas eram e agora, muito menos como quando ouvimos nossos avós falarem de política depois da sobremesa e nós só sabemos o nome do atual governador. eu vejo a todos com tanta confiança, aprendendo sobre a vida e quando olho meu reflexo, só enxergo os medos, que tem sido alimentados, portanto gigantes e é como cada experiência, vivência não fosse nada senão uma carta lida em francês quando falo em alemão. eu sei que tenho crescido, lembro da sensação do amarelo em meu peito e o Sol me iluminando, mas estou temporariamente cega, me deixando levar - eu sempre deixo e é quase como se o universo se deformasse cada vez que eu pudesse quase encaixar em suas bordas e então, eu estou no começo da linha de partida. parada enquanto o som da chegada acabou de ser disparado.

    20 de novembro de 2017.

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  • boywater

    Helena Almeida, Untitled, 2010. Black-and-white photographs with blue acrylic.

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  • original (escrito no meu caderno): aqui é um lugar solitário e quando noto algo parecido com meu estado interior fico me sentindo desamparada. minha mãe falou sobre o meu corpo como se o próprio já não me deprimisse o bastante.eu estou com fome e cansada. é difícil achar um lugar material para chamar de casa quando não existe nenhum suporte psicológico para tal. quando eu penso no futuro, não consigo me enxergar onde gostaria porque todos ao meu redor são tóxicos e não podemos viver em paz. eu estou exausta das dores no estômago por conta deles - penso que vou me matar antes de achar alguma solução. sinto que ninguém está disposto a se doar como eu estaria. por que isso me decepciona? por que e sou tão egoísta? percebi que sou extremamente carente e isso parte o meu coração - mais do que aconteceria em outros dias. por que não consigo sair desse ciclo? eu me faço miserável. gostaria de me retirar nesse tempo onde apenas sobraria minha carcaça que é forte e toda minha fragilidade se despiria. eu não consigo encontrar o equilibro em mim. 


    08 de dezembro de 2017


    correções: a casa onde minha mãe reside agora é parecida com o meu estado interior. nada nasce e nada morre. e sinto que mais uma vez, caio no vácuo onde não há algo para me segurar ou me estabilizar, o desamparo chega como um carro sem freio. a verdade é que minha alimentação não está saudável, tenho me envenenado com alimentos como se o estresse não fizesse o suficiente, então devo admitir que desconto as minhas frustrações na comida e engordo (engordar sempre foi um problema para mim e é óbvio que seria depois de tantos avisos), então minha mãe não pode deixar de falar sobre o meu corpo como se eu não tivesse um espelho e o próprio não me deprimisse o bastante. minha cabeça pesa e o meu corpo pede por alimento - estou jejuando para que eu possa valer mais a pena. fico triste ao pensar que nenhum lugar serviu para que eu pudesse chamar de casa, para retirar minhas armaduras e descansar. nunca existiu um apoio onde eu encontrasse o colo para chorar e ser protegida. (isso ainda mexe comigo, escrever de maneira sincera parece uma corda sendo amarrada em meu pescoço). como eu poderia conhecer um lar nessas condições? cada vez que tento mudar aparecem situações que não só me testam, mas me fazem desistir, então é como seu eu nunca fosse alcançar o estado que “necessito” (eu usaria a palavra desejo, mas é o ego comandando). eu sei que tudo depende de mim, mas é tão tóxico que drena toda a minha esperança. eu me sinto velha e sem forças. as dores por esgotamento têm incendiado o meu estômago como se o próprio diabo estivesse amassando o pão no meu órgão. é doloroso e queima. arde como o inferno. e sempre sonho em causar a minha morte para que isso termine logo, quase acredito que vou fazê-lo antes de achar uma solução. como acredito que sinto da maneira que ninguém sente, também fico ciente de que ninguém se doaria da maneira que eu faria e isso me quebra. por que isso me decepciona? por que eu sou tão egoísta? notei que sou carente como os indivíduos que me incomodam e essa verdade parece sambar de salto agulha em mim. eu me faço miserável. sonho com o dia em que minha carcaça ficará porque é forte o suficiente e minha fragilidade se dissipará como gás no ar e talvez, o equilíbrio chegará. pois sei que não o tenho e não o consigo encontrar sentindo-me assim. 

    12 de dezembro de 2017

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