Estamos rasgados em nossas bordas, mas permanecemos sendo obras de arte. A real definição só pode ser encontrada dentro da nossa vivência a respeito de algo. Uma obra-prima precisa fundir dentro de nós, precisa instalar um aspecto de criador, onde sentimos em nosso âmago, a força que nossas mãos ou nossa mente pode exercer ao ser inspirado. Nossos grandes amores são nossas telas favoritas. O resultado não pode ser julgado por beleza ou feiura, por verdade ou mentira, mas pela poética que transporta. Você instalou luz dentro da minha escuridão. E, por isso, você é o maior Criador da minha gênese contemporânea. Uma criação precisa continuar com o seu ciclo de nutrição. E, você, meu amor, nutriu todas as minhas falhas e hoje, me torno quase divina para originar. Eu não encontrei um conceito que pode ser concreto, não assimilei tudo ao meu redor e nem me encontro em um lugar onde posso me tornar esmerada, mas não importa o quanto classifiquem essa definição. No meio de você, eu descobri a relevância.
você é uma alma centenária. um ceifador fantasiado de velho sábio onde sua visão estreita está focada entre as grandes árvores da floresta ampla carregando consigo, um crânio para jamais esquecer da fatal mortalidade e da efemeridade do mundo, segura-a como a sua resistência contra a ignorância. se você fosse um elemento, seria o ar levando suas ideais como folhas que voam de um lado para o outro. um ancião observando através de óculos que são enfeites para quem tem os verdadeiros olhos abertos. você é um espírito que lutou em busca de paz, um guerreiro fiel - um protetor do povo - ao seu reino que cansou da tirania do monarca e abdicou à política, a religião e os falsos milagres que acontecem. nada mais lhe surpreende senão o sorriso da sua amada. o despertar chega e a sua essência pode ser encontrada na ação, nunca reagindo, o pensamento que acorda pronto para um futuro distante dos demais onde nunca poderá estar. sua natureza é uma carcaça abençoada onde seu vigor é ignorá-la para que não exista vento sob o seu pescoço, que o vangloriar-se não lhe atinja para continuar onde sempre esteve. no lugar exato.
para o homem que tem a alma antiga e o peito caloroso,
eu o amo.
é difícil sair da zona de conforto. é difícil pra caralho tentar transformar o próprio pensamento. é difícil ser quem precisa mudar a si mesmo, mas a realidade é que apenas nós podemos fazer isso. é difícil, porém não é impossível.
eu sei.
mas alguém necessita compreender que esses fatos não fazem com que eu não queira deixar tudo pra lá no primeiro apagão de espírito. em situações assim, é palpável a distorção da minha alma que parecer ser moldada unicamente com a intenção de sofrer para uma causa maior, ainda mais importante que a minha pequena vida.
eu gostaria de rasgar os pedaços da minha dor e distribuir como um troféu para que pudessem entender essa dor gigantesca. eu quase não suporto o peso que a mesma faz em meu peito. eu acabo me tornando a víbora que traz de quem ama as piores coisas e não é algo que cabe a minha existência, então devo deixar essas mágoas intermináveis, destruir esse passado que age como uma corrente que não protege, mas aprisiona e seguir para viver o presente.
eu quero recomeçar. eu quero sair dessa zona e agir como uma guerreira novamente. eu quero estar confortável nesse corpo. eu quero entrar em sintonia com esse universo.
traída.
nunca pareci o bastante. sempre houve segredos ao meu redor. os olhos dos inimigos oferecem piedade. todos buscam e permanecem dentro de um lar - o coração destroçado. não há nada para fazer. eles ficam até que suas feridas fiquem cicatrizadas e escapam pela janela. você é só um retrato do cavaleiro, você é só uma lembrança, nunca um presente. braços abertos que não receberam reciprocidade. heróis não são felizes, não são recompensados. sua alma é limpa pelos punhos feridos - mas nunca deixa de ser uma obra de arte.
cortada aos pedaços. enganada. assegurada.
um troféu de segundo lugar em um esmo obcecado por prata.
talvez as pessoas que nos amem, são as que mais nos destroem.
são as que finalmente nos matam.
não porque elas desejam, mas naturalmente há uma tendência ilimitada, quase como se fossemos moscas e então, elas são anfíbios famintos dando botes certeiros. e cada parte minha tem morrido - não silenciosamente, mas tão rapidamente que parece uma espécie de dedetização. elas se aproximam e há uma devastação de cada parte inseto de mim (de nós).
Peter Kertis, Into Black
eu não te amo e dentro de toda a minha dor, eu posso reconhecer isso, nunca serei capaz de amar mesmo tentando enganar o meu consciente sobre isso. me iludindo sobre sentir demais e nunca receber uma reciprocidade alheia - mas é óbvio, o motivo deles nunca poderem, é que não sou amável e assim, não sou feita para amar. logo, você é uma droga que recorro para me sentir mais humana, mais próxima de uma conexão com o paraíso ou com o inferno - você sempre me oferece os dois extremos. mas eu não te amo, não posso sentir algo puro quando estou lotada até as bordas de sujeira. quando trato toda a bagunça sentimental como posse ou lixo. você é posse ao estar infiltrado com seus toques, com a sua ilusão, com o seu afeto, mas você também é lixo ao estar tão longe que me causa abstinência, levando-me as dúvidas.
maldito vício é as pessoas que sentem por quem não pode amar e permanecem - permitindo o cortejo de trazemos o que há de pior em vocês.
AGNÈS GEOFFRAY
Marianne Dages Untitled (Diamonds)