hello there
vulcano
@fuckaneurysming
maiamero, 21 • conjunto expositivo de poesias visuais e textuais. expresso as minhas emoções com todas as linguagens que posso dominar e algumas vezes, utilizo a do outro para ser compreendida.
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  • o meu sangue não é azul;
    e não há um espaço gélido dentro desse corpo
    o meu peito borbulha feito lava
    protegido por uma casca ígnea como kintsugi;
    o dourado cambiado por laranja que gera náuseas 
    e suor;
    o que me mantém viva é o calor que brilha entre as lacunas
    e ele queima;
    criando um eterno deserto
    [emocional]
    mais do que excitar, o meu amor
    deforma
    - seca toda água interior -
    como um desastre natural que encanta à distância 
    e danifica [a]o próximo.

    crio alucinações para o espetáculo que é encontrar esse esmo;
    aprisionando e desnutrindo até o extermínio meus visitantes. 

    [eu sou a Terra - com as inúmeras artimanhas que pode destruir a si mesmo e seus moradores]

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  • heaven gaia ss 2018

  • bhlow

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  • [a criação do cataclismo]

    morando entre as camadas,
    instalando-se em profundidade
    - silêncio -
    como uma cobra que rasteja sob a água
    calma e paciente
    a estranheza é ignorada
    pela fixação que a hipnose traz

    - linha tênue entre ordem e anarquia -

    esse estado é tão similar a lógica
    naturalmente porque tudo que requer início
    necessita de um fim

    - o ciclo é anunciado! -

    e os términos que existem em mim
    são caóticos
    como vulcões entrando em erupção
    ou furacões destruindo vilas inteiras
    - ocasionalmente -
    não sou iniciadora de nada,
    mas faço parte de todos os fins
    como um parasita viral
    intercalo as vítimas
    e as ofereço caos embrulhado em dedicação
    finalizando todas suas grandes obras
    porque tudo que reside
    entre as lacunas que não são iluminadas,
    que sobrevivem no meu inconsciente
    é o caos.

    [melancolia pós-apocalipse chega]

    o fim é anunciado em trombetas celestiais
    um standard de hieronymus bosch
    o inferno não são os outros,
    mas as faces que buscam protagonismo
    falando em meu cérebro,
    - sussurrando, gritando, criando -
    e nunca se calando
    um elenco de lesmas devorando o cadáver
    esse corpo também é meu
    e as lesmas também fazem parte de mim

    - o curso é sempiternal [samsara!] -

    e fico presa em minha armadilha,
    a viúva negra enrolada em sua própria teia.
    [a hierarquia é cármica]

    tudo que está fora da visão
    parece inexistente,
    a matrix silencia a desordem
    consentindo com a alienação
    e a ferida nunca para de sangrar.
    - vermelho pinta o cenário -
    e voltamos para a origem.

    [silencioso e sangrento]

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    [meditação do mar]
  • cenário de produção para a meditação: o som do mar e suas “flutuações”. você é influenciado pela lua mais do que pelo mar. o seu corpo acompanha o balançar do fundo d’um barco. você experiencia os polos da mãe Terra e conhece os seus irmão Sirius.

    feche os olhos. o cenário é escuro e quando você finalmente abre o seu Olho - o verdadeiro - há uma praia deserta à sua frente. o sol estendido sob a sua cabeça, enquanto o horizonte apresenta o tom do paraíso escondido sem nuvens no céu. a areia invade o meio dos seus dedos e a brisa leve do mar assopra o seu cabelo. o clima aquece o seu interior, enquanto você vai de encontro a abundância. a água aquecida toca seus membros inferiores e essa parte é diluída ao mar. como sal em um copo d'água. caminhando até o seu verdadeiro destino, o seu corpo inteiro é dissolvido. você faz parte do oceano. as suas partículas são desprendidas do antigo. sem aglomeração. você está por cada parte e também, não está. os átomos boiam e afundam. você sente o calor que aquece um interior etéreo e pode experimentar o gélido e escuro fundo-do-mar em suas extremidades. luz e trevas abraçam seus fragmentos e você faz parte disso. você é isso. a sabedoria e a inocência. a ignorância e a inteligência. a consciência flutua em conjunção ao astro rei e rapidamente, imerge até o centro da terra. calor, frio e calor. você percebe a vida e a morte que é a sua natureza. as cores existentes em lugares não explorados e as dores causadas pelo contato descuidado. o estado de congelamento e a euforia do calor em clandestinidade. o fluxo é ditatorial e o círculo nunca para. você é o todo e o todo é você. a verdade é a imutabilidade da constância e do inteiro. e o inteiro é vazio. e o nada é preenchido. a vibração desse organismo que você faz parte e que é você afeta cada elemento existente. mais do que o seu espírito, a mente de deus balança em uma dança - furiosa em seu interior e branda em sua superfície. o entusiasmo é o primeiro som. o que cria, mantém e destrói. nada foi dito, mas foi escutado. naturalmente. você é onipresente - onde não precisa ser matéria, mas uno com a criação. a criação é você e você é o criador. a paz urde pelo caos que reagrupa as suas células. a materialidade é refeita e o seu corpo sustenta-se por maya. o cheiro do sal invade as suas narinas e os raios de sol amornam a sua derme. você respira profundamente e nada até a costa. o nirvana é experienciado.

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  • Little Forest: Summer / Autumn (dir. Junichi Mori, 2014)

  • The deeper your love, the more poignant the feeling of sadness,

    Li Qingzhao, tr. by Jiaosheng Wang, from Complete Poems; “Complaint Against A Prince,
    (via violentwavesofemotion)

    [tradução: quanto mais profundo o seu amor, mais pungente o sentimento de tristeza]

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  • ontem Você veio até mim!

    as esmeraldas que vivem no seu interior brilharam em minha direção como grandes faróis que gritam:
    - Você está viva!,

    continuo dizendo que rastreou a Mim
    enquanto viajei entre as possibilidades do universo e no infinito d'Um sonho Te encontrei. dormindo e consciente da Verdade. olhei em seus olhos e despi-me da raiva e do ódio. dei a Ti permissão total de desnudar toda a minha não-materialidade e fui forte. o Amor tocou cada sombra que fica oculta em meu inconsciente e iluminou todas as extremidades que me afastam do divino. Eu Mereço. Você Também. retirei o manto da ignorância que me aquecia em solidão e percebi que somos Um. a projeção que acredito ser Você, sou Eu porque juntos Somos. e toda beleza viva em Ti, vive em Mim.

    hoje Você sorriu!

    logo o nosso Espírito dançou livremente pela Terra Sagrada que habita em Mim e existe em Ti.

    (a Salvação vem através de vias ocultas, mas a Verdade sou eu)

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  • El Prat de Llobregat, 2013.

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  • quero escrever uma carta aberta e expor em meio a praça pública, mas não faria diferença desde que somos invisíveis e nossos sentimentos não são ouvidos, são calados.
    nossas bocas se abrem e só temos direito ao primeiro choro antes de todas as nossas paixões serem suprimidas e nossos desejos serem empurrados pela nossa garganta junto com o ódio que nos é ensinado. nada é mais familiar em nossa fisiologia do que a repulsa a nós.
    eu me lembro pouco de ser criança, mas recordo dos baques sofridos durante o meu crescimento:
    todos os elogios direcionados a minha mãe eram ligados a sua capacidade de interpretar a mística feminina e atravessar as jornadas triplas. nunca sobre o seu grande coração ou sua paixão pela poesia. minha irmã aos quinze costumava fazer séries de exercícios em um quarto de 5m² para tentar emagrecer. o amor que ela tinha por simplesmente correr sem rumo desapareceu. minha prima entrou na natação e apenas comentavam como o seu corpo afinava. nunca admiravam a sua capacidade de atravessar um tanque de água com o triplo da sua altura em uma dança sem coreografia.
    a sentença de tornar-se mulher parece óbvia: ser vista pelo seu físico e não estar em paz com o próprio. (e apesar de residir nele, não ser dona dele)
    conheci a tristeza e fiz laços fortes. alimentava-a como a mim e algumas vezes, em dobro. a tristeza foi cavando um buraco em mim e eu apenas tentava preencher até o dia que fui acusada por isso. tentei despejá-la, permiti que a própria fervesse dentro de mim e depois que endurecesse. algum tempo depois, acolhi o pesar e nada é mais perturbador em uma casa que esse visitante que se esconde e multiplica, rapidamente pesando no estômago.
    o arrependimento não é só um nó na garganta, mas uma rocha sob o umbigo que não faz nada ser digerido.
    se os homens acham difícil dormir após uma ceia farta em que entopem-se de morte e gordura, imagina se vivessem com essa sensação de indigestão. as mulheres vivem com a culpa e dão suas migalhas para ela.
    uma década depois da minha primeira sentença e todas as curvas que desejei quando visualizava aquelas mulheres parecem medonhas demais. rapidamente naturalizei todo o mau estar do século, demonizado a saúde e priorizando o padrão estético. o fértil parece doente e preguiçoso, enquanto a inanição é um sonho. quantas de nós são ensinadas a odiar a própria força? todas. e mesmo aquelas que conseguem driblar o processo e reconhecer o seu poder, são sufocadas para jamais ostentá-lo, porque o conforto incomoda o nosso sistema e a tranquilidade presume o óbvio: que somos tudo que precisamos ser.
    o cômico é que mesmo reconhecendo toda a problemática, não sou capaz de ser empática comigo e não consigo parar de seguir o modelo das mulheres ao meu redor - de se odiar. enquanto permaneço deitada, incomodada com ossos sob ossos e uma dor que atravessa minha coluna aos quadris, não penso na vida, mas em uma maneira de não morrer sem quebrar dentes ou correntes, mas meu coração ainda arde e vibra com o poder de cada mulher que consegue ultrapassar esse obstáculo e sonho com o momento de nossa união onde retomaremos a posse não só de nossos corpos, mas de nossas fantasias e de nossas memórias.
    sendo mais do que livres, sendo mulheres.

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