grecco,
escrevo essa carta muito antes de você saber ler e provavelmente distante o suficiente do tempo onde as palavras tenham a força para me afetar.
eu não lembro do tempo que você estava na barriga da sua mãe, a verdade é que parece um grande corte na minha memória e a única coisa que reconheço é que não te conheci ou conversei com você até poder te olhar.
no dia em que nasceu estava frio o suficiente para que tudo me deixasse desconfortável e só gostaria de voltar para minha casa e te visitar nos dias seguintes, mas foi uma emoção receber a sua fotografia do outro lado da sala e depois te ver pelo vidro da maternidade.
eu aprendi a te amar.
desde o começo quando a sua mãe ficou apavorada por não saber como trocar uma fralda ou quando foi necessário ficar com você para que ela pudesse ir ao hospital com dores agudas.
toda a situação em que você apareceu - fez com que surgissem frutos em mim para ser capaz de ajudar ou de ser alguém na situação. eu me sinto responsável pela sua criação.
antes mesmo de receber o título de madrinha ou até mesmo que você pudesse falar “titi”, eu te roubava do berço quando você acordava para te colocar sob meu estômago, te colocava entre minhas pernas e balançava até você babar e fazia palhaçadas para que você pudesse sorrir.
eu nunca realmente gostei de um bebê até você surgir e notar que não havia nada mais doloroso do que seu choro e nada que partisse meu coração mais do que a sua tristeza.
hoje parece que ser sua madrinha era coisa do destino. tinha que ser e não poderia ser diferente. não existe nada que eu ame no mundo mais do que você. mais do que ver a sua felicidade passando diante dos meus olhos.
eu amo o fato de ter sido próxima o suficiente para te ensinar muitas palavras mesmo que grandes parte delas fossem comidas, pra ter ouvido você balbuciar e se contorcer em emoção, pra ter te levado pela primeira vez em vários lugares, pra ter te pego no colo e ainda te pegar (até que realmente seja difícil te segurar) porque nada me tranquiliza mais do que você em segurança ao meu lado. eu amo o fato de semana passada ter dado banho em você, segurando você no meu colo e brincado de jogar água no seu rosto. eu amo o fato de que quando estou ao redor, você me chama vezes o suficiente pra eu ficar exausta - mas não trocaria essa preferência por nenhuma outra paz.
a verdade é que eu me sinto mãe sem ser. eu me sinto obrigada a tentar te guiar para o melhor e estar ao seu lado para te assistir, apoiar e se necessário, te repreender. porque se no começo havia aquele sentimento de “tia só aproveita o lado bom”, eu te digo que também vou passar maus bocados e não tem nenhum problema nisso, porque o amor que eu tenho por você é incalculável. é a primeira coisa no mundo que eu realmente acredito ser infinita. o amor que tenho por você.