hello there
vulcano
@fuckaneurysming
maiamero, 21 • conjunto expositivo de poesias visuais e textuais. expresso as minhas emoções com todas as linguagens que posso dominar e algumas vezes, utilizo a do outro para ser compreendida.
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  • uma colônia de formigas e o ácido em meu estômago.

    queima em um lembrete da nossa última discussão - devo considerar um possível e breve desfecho? e elas sobem pelos azulejos encardidos que têm todas as cores, menos as originais.
    existe uma espécie de sincronia única vinda desses insetos que me fazem ficar estática em uma análise.
    o seu instinto pode ser afetado? existe uma preocupação com a realização do seu propósito quando já nasce carregando-o?
    o ar quase falta. é preciso que eu me lembre de respirar. um, dois, três e expire. lembrei de quando era tão leve que era quase capaz de voar - poderia acreditar que era possível quando suas palavras eram pensadas antes de serem dirigidas a mim.
    agora o meu coração parece tão pesado quanto uma âncora. costumava acreditar que a única coisa capaz de me afundar era a minha família, mas percebo que não e essa foi uma situação em que coloquei a mim mesma por falta de amor e cuidado.
    rebobino toda a situação.
    três anos seriam suficientes para resolver. muitas feridas foram desenvolvidas nesse tempo. voltar permitiria que não existissem tantos machucados que são constantemente abertos. eu faço isso.
    é como atear fogo. a raiva, o medo, a responsabilidade. possivelmente o meu modo de amar.
    as formigas ficam desnorteadas ao sentirem o álcool e cada parte da minha garganta ao estômago incendeiam em resposta.
    o que eu fiz de errado? por que me sinto fora de órbita?
    solto o ar que nem imaginava estar segurando. é assim, costumo agarrar todas as emoções que surgem em meu peito e não permito a saída. as sensações são hóspedes que desejo transformar em moradores sem acreditar que poderia ser levada à morte.
    as formigas mordem e nem isso é capaz de me tirar do transe. estou morrendo. morri inúmeras vezes e continuo morrendo, caso me perguntem o por quê não me matei, digo que é porque estou morta. é fácil continuar nessa linha.
    conheço o caminho como esses insetos que sempre retornam para o formigueiro. e eu volto para caverna - isolada e machucada. não existe mais fogo, mas cada parte de mim está ardente.