tudo está mais confuso do que sempre esteve. eu medito, me alimento corretamente, mantenho relações fixas e ainda pareço uma bagunça. esse tempo sozinha faz com que eu pense a respeito das coisas que me consumiram ao longo das duas décadas e descubro facilmente que não sei quem eu sou porque reprimi tudo. não digo só da raiva, mas de todas as coisas que eu possivelmente poderia me interessar caso não tivesse sido direcionada para outros assuntos. tenho mantido comigo tudo: os sentimentos bons e as expressões negativas. é difícil abrir o meu coração e permitir que isso venha como uma avalanche. não posso negar que no meio desse processo tenho vontade de dar as costas e abandonar. é fácil parar, mas aposto que não seria fácil ignorar o avanço que tenho feito. eu compreendo que nada vai acontecer de uma hora para outra - como a cura não é linear e como nunca vai chegar um momento onde sei tudo é necessário, porque por mais que eu saiba, nunca vai ser o suficiente e está tudo bem. está tudo bem sobre eu estar caminhando no meu tempo, mas não consigo lidar muito bem com as sensações físicas e emocionais que me acompanham. o meu ego tenta o tempo todo ganhar. o meu ego é obcecado pelas minhas falhas. o meu ego se alimenta do meu medo e da minha imagem. o meu ego ainda toca a minha criança interior e ainda se sente ameaçado pela minha sombra. eu sinto vontade de chorar, eu me sinto mal, mas agora toda raiva evapora. eu não devo mais culpar os meus pais, o ambiente ou qualquer coisa, a única pessoa responsável sou eu e perceber isso é libertador. sinto uma faísca ressurgindo dentro dessa caverna fria e isso me faz querer mais e mais. eu não devo me comparar aos outros. eu não devo machucar o outro, mas também não posso aceitar o que me ofende. estou tentando ser paciente, porque a ansiedade ainda consegue preencher cada lacuna da minha mente, mas eu vou tentando. todo dia é um novo começo para acordar.



