20:47.
como eu poderia não ser perfeita quando fui feita da mesma matéria dos deuses?
a verdade é que eu passei anos tentando ser o que os outros desejavam, o que parecia ideal em comparação aos diversos modelos e nesse processo de ser alguém, esqueci que só posso atuar com precisão o meu próprio papel. está na minha pele como o lobo que tem em seu intimo: o coração de um caçador. empurrei o meu “eu” o mais fundo possível e sufoquei cada parte: a criança, a besta e com isso, acreditei que poderia calar tudo que me desagradavam - mas só fiz com que os defeitos ficassem barulhentos em minha cabeça. sem saber que a luz é sempre maior que a sombra. escondi tudo e apaguei a fogueira que havia no meu peito. e tudo ficou frio. uma neblina estabeleceu um lugar e nada crescia, apenas morria.
só agora compreendi que: tudo que existe no escuro, existe na luz e vice-versa.
minhas qualidades só são visíveis por causa dos meus defeitos e estar consciente disso pode contribuir. o mundo inteiro tem uma sombra, porque só através dela sabemos que a luz. não precisamos agir com ambivalência, mas necessitamos ser transparentes quanto a dualidade que existe em nós. como a natureza poderia errar ao criar cada parte de nós? como a natureza poderia estar errada quando tudo é interconectado? e tudo é um e um é tudo?
nós somos seres cíclicos, somos seres de mudanças, somos seres de diversas facetas e isso mostra que estamos vivos. o permanente não existe ou está morto.
olhar para a própria escuridão e confrontá-la é essencial para compreender a sua luz também.