com licença!
por favor!
deixe o caminho livre!
estou com pressa, pressa.
eu tenho pressa.
a preocupação me domina e o estresse surge coo uma lápide no caminho
despenco e paraliso no meio - do roteiro ou da vida?
eu não sei
mas estou entorpecida e a movimentação ocorre rápida demais para que possa ser assistida
não consigo levantar e não tenho forças para avançar
o meu coração aperta
as minhas costas são miradas
como um cervo diante do caçador agarro-me ao último suspiro e dói
ninguém parece notar
andam ao meu redor sem pressa, sem precaução
o desespero surge como uma faca cravada na espádua
sou inseparável com o aço e me sinto um fracasso
fui uma criança prodígio
crescida em uma redoma de vidro e atirada avante dessa na segunda década do outono
eu não sou especial,
eu não sei o que fazer e eu não sei quem eu sou
tenho pressa para descobrir, tenho pressa para alcançar
e tenho pressa para ir embora desse delírio
o mundo foi capitalizado
e eu não suporto a minha mente rodando mais rápido que suas engrenagens para associar essa verdade
eu não quero ser deixada para trás
mas a globalização está acabando com tudo
com meus sonhos e poemas
eu não tenho paz e não posso mais acompanhar
eu tenho pressa,
mas não tenho direção
e logo, nem respiração.