adormecida em sua memória e
viva em uma fotografia apagada
que se esconde no bolso traseiro
o pretérito nunca pareceu tão longe em uma mente cheia de lembranças
com poucos arrependimentos e um bocado de acertos
é necessário readaptar para seguir em frente e o que eu era foi -
remodelado, estancado e dividido
paralisada observo todo o seu futuro brilhante
ao passo que como uma vela
derreto-me em lágrimas e minha luminescência sucumbe a solidão
não há ninguém,
nem para suprir ou fomentar
o retrocesso é tangível em uma mente infantil
onde existia amor, compete o medo
e a alegria é governada pela ira
espalhando-se como a cólera viral
eu sou os ossos jogados sob os pratos e lançados ao lixo
incômodo e quase descartável para uma família faminta
não sento à mesa, pois meu sofrimento serve de nutrição
e não permaneço mais do que o suficiente
visto que um espírito pobre incomoda.
você não quer mais reviver o passado e sem espaço para me ocultar -
sou desfeita no acaso da sua amnésia.