eu olho pro mundo e penso que não posso sobreviver a ele
não sei como posso continuar os meus dias quando acredito que o pior a se fazer é sentir
e não há como ficar invisível para os obstáculos
minha mente constantemente se divide
eu não sou a pessoa do espelho
não sou a pessoa que tem esses pensamentos
e não sou nada entre esses dois
tenho envelhecido e endurecido como quando entramos em choque e paralisamos
estive buscando o vazio para conseguir preenchê-lo e me sentir em paz
mas depois de pressionar tantas peças erradas no meu peito
encontro-me com a desesperança que torna tudo cinzento
e quase superficial
quero fugir mais uma vez - agora não só das pessoas, mas de mim
eu não quero estar aqui. não quero ficar aqui nem mais um dia.
declaro que ser humana é um castigo à minh’ alma
consumido toda a minha essência e moldando-me obrigatoriamente
para continuar transmutando é necessário energia,
o que resta é pouco; tenho menos crenças e força de vontade.
é um limbo e um labirinto
como tudo que conheci e aceitei, 
a dualidade parece fatal, então
os altos estão para ser descobertos 
e os baixos são cascatas que se alongam no decorrer das experiências 
eu estou doente 
e essa falha no meu espírito que não pode ser preenchida com argila me traz agonia 
a mortalidade que parece o ápice da própria vida torna-se um castigo; 
a vergonha que deve ser carregada 
porque eu sou totalmente responsável e ainda assim, a coitada 
como posso permanecer nessa dimensão que tem se tornado um teste de resistência? 
tudo que é bom dura pouco 
e tenho sofrido ao lutar contra o mau.