os Tempos inférteis chegaram
e me pergunto como a existência das pessoas continuam
pois pareço ficar presa em uma redoma
[sem tempo]
onde os pensamentos quase não chegam
e as emoções se enrolam em seu próprio fluxo
intercalando-se
tudo está à flor da pele,
mas não há nenhuma semente aqui
a única vida presente, sou eu, e chego a duvidar disso
as palavras alheias sussurradas chegam como uma lembrança antiga no fundo do meu cérebro:
“a monotonia é uma oportunidade de se reinventar”
mas todo o meu interior está apodrecendo
-
o último figo que caí e fica a mercê das possibilidades
não servi de alimento, não fui pisada e estou intocada
deteriorando de fora para dentro e algumas vezes, de dentro para fora
como os artistas sobrevivem?
mais do que um luto; este intervalo não para
é melancólico e árduo
o ar é tão denso que pesa nos pulmões e quase o vemos trazer a nossa permanência
não há permissões para rezas [seja de agradecimento ou pesar]
só o sentir
mas já senti um ciclo inteiro e estou desaparecendo
os Tempos inférteis chegaram
e estou sucumbindo [a Eles].