é como uma agulha no dedão
tão profunda que não sou capaz de tirar,
minha inflexibilidade não permite que eu a alcance
a dor me faz buscar uma distração e logo me enrolo n'uma teia;
mexo de um lado para o outro
e sou transpassada pelo desconforto
por que tenho que me acostumar com isso?
por que estou tentando tornar isso comum?

tão dolorida e sensibilizada -
ainda assim, não sou capaz de ser ouvida pelos demais
ninguém mais pode me salvar e isso me torna tão solitária
anseio transformar o meu coração; uma rocha
parece oportuno torná-lo em carvão
posso facilmente queimá-lo até as cinzas e sucumbir
ou manchar a todos por isso
quero culpá-los [e essa amargura também pinta o meu interior]
impactar suas almas para que o grande Juiz possa julgá-los
mas todas essas memórias são criadas pela minha mente
como posso parar de alimentá-los?
como posso deixá-los me controlar?

acreditei que o sofrimento poderia me tornar mais forte,
mas corrompi o meu sistema com essas ideias -
desde quando deixei de ser um organismo vivo para ser virtual?
atravessada e modificada pelo exterior,
não encontro um conforto nessa existência
[sozinha ou comigo,
sozinha ou com os outros]