a vida acontece
e o milagre do nascimento é uma luta
impulsionado para essa terra estranha,
desde o primeiro respiro é necessário se erguer
há combates fáceis e árduos; há guerreiros e sobreviventes
em um ringue,
bota-se as ataduras e eleva-se
esperando vencer

bom,
eu não tenho vencido nada
sinto que meu oponente sou eu
eu que me conheço e eu que não tenho mais forças
eu que quero desistir e eu que acredito não poder
eu que tenho uma teimosia tão profunda quanto esse solo
eu que tenho cicatrizes extensas como os rios do himalaia

eu não sou calma, eu não sou veloz, eu não sou flexível
eu já nem sou mais brasa, acredito que seja cinzas

vejo, dentro de mim, a cólera do fim da guerra
uma batalha egoísta que não entendo,
mas que existiu e findou-se
sem ganhos e com muitas perdas
a impermanência não é o fim, a morte não é o que sepulta;
a rigidez dos meus sonhos é
um futuro inelástico é a única possibilidade não viável que assisto,
que sinto e na qual, hipoteticamente, sobre"vivo".