a água leva tudo e se pudesse gostaria que ela me levasse -
estou exausta de ser como um recipiente ou um soluto
quero ser o vazio que é impassível. o tédio que desperta a criação divina,
pois estou farta de ser humana
em minha humanidade devo aprender sobre as coisas que inerentemente sei, mas esqueci - imergi e reprimi em meu inconsciente
e cada reconhecimento é vida em morte - solve et coagula
mais do que ser, almejo experienciar já que essa matrix do desempenho me impede de não tentar ser melhor do que sou
e me obriga a buscar inúmeras formas de ser uma versão superior do que essa.
a tarefa é árdua. um peso.
a existência tem sido tão melindrosa que me pego em uma situação de peso-pedra, ao ser atirada, faço barulho e afundo - junto com os meus sonhos;
esses que eu enterrei na escuridão de lilith
rastejando no abismo que não sou capaz de encarar desde que minha visão foi arrancada pela cólera.
o som da criação vibra em um padrão por todas as partículas do meu corpo - os átomos reconhecem a batida primitiva e se materializam a partir do om;
mas a ansiedade, a desesperança e a velocidade do mundo moderno invadem o meu sistema como um vírus e não há uma salvaguarda para revidar
- é a anarquia do espírito -
logo, tudo que posso perceber é o tambor que traz o fim
e dele, só repercute o caos anterior ao recomeço
meu espírito atinge um novo limite - dado não a favor da escassez, mas ao excesso.
e é aqui onde começo acreditar que devo parar de buscar pela divindade e aprender a lidar com a minha humanidade -
a oposição é que quando a encarei, encontrei um grande abismo que poderia me devorar
e não conheço muitas pessoas que iniciariam uma jornada que não se pode vencer (pois não há ponto de chegada, apenas de partida)
as axiomas me acertam e estimo algo mais uma vez:
anseio em ser como a água e despedaçar essa lápide que se coloca no meu fluxo e não permite a movimentação;
quero limpar e benzer essas memórias como se fosse o mar -
santo e salgado.
quero ser terrena e divina - equilibrada.