há um lobo entre as lacunas da escuridão
omitido-se com as pelagens dentro do gris das cordilheiras
lá fora é lúgubre,
a fome que ingressa nessa carne é opressora
e não só cega, mas consome o interior como um parasita
trazendo cólera para as pobres almas
um inimigo silencioso caminha
onde seu espectro brilha diante da introspecção
olhe!, ele sussurra
enquanto falho em meus passos,
caindo sobre pernas e pedras - iludido e traído
encarando para o miserável reflexo revelado
o quê?, as palavras são cuspidas com amargor
sabemos quem é;
o tirano está por aí e todos sabem
espalhando o seu veneno como antídoto
escapando das tropas de controle
sendo hospedado pelos camponeses dessa vila
como se fosse um herói trazendo descanso
e não, luto
você! você! você!, as vozes ecoam em culpa
ressoando como um mantra em meu tórax
- pulsando como as trombetas na queda de lúcifer -
o predador sou eu, a presa também
rastejando sob a carne apodrecida,
nutrindo o horror que cresce nas vísceras
após aniquilar cada devoto
e pronto para parir o meu próprio calvário.
[eu sou a escuridão e tudo que nela habita]