me perguntam. eu me pergunto.
mas não existe uma resposta exata para isso, caso existisse, provavelmente não haveria esse sentimento inquieto onde nada realmente se encaixa, onde principalmente, eu não me encaixo nesse corpo, nessa vida.
porém devo alertar que muitas coisas aconteceram, deixei que passassem de maneira batida. inicialmente, por não acreditar na minha voz, depois pela vergonha que me consumia por admitir que aquilo me afetava. em certo período, deixei a raiva consumir cada partícula do meu corpo. a verdade é que isso não faz com que eles sejam destruídos. e agora, acredito que à essa altura, estou me tornando passiva desde que cansei de usar o meu corpo para frear acidentes de carro. algo que só me custou feridas e ossos quebrados.
juro. juro que estou tentando concertar as coisas. de maneiras diferentes.
estou tentando me encontrar. como posso encontrar alguém que nunca quis estar aqui? como posso encontrar alguém que sempre quis ser outro ao invés de si mesmo? como posso dizer que sou algo se ser eu nunca pareceu o suficiente?
a pergunta é errada. eu sei. mas mesmo quando me pergunto a certa: “o que aconteceu?” não parece válida, não parece captar o necessário para explicar porque me encontro nesse estado de carcaça.
não acredito que exista algo aqui para ser aproveitado. não nos dias de melancolia. não quando deixo de vestir o manto da ignorância. não quando estou sozinha, porque nem a minha companhia é o suficiente. sou isolada de mim por grandes muros e salas gélidas. nada cresce aqui, apenas sobrevive.
“o que está acontecendo?” eu apenas estou fodendo tudo. não é porque não me importo, eu ligo tanto que isso me consome, mas estou cansada. de sentir dor, de sentir o vazio. das palavras que não são suficientes e da empatia que não parece receptiva.
eu sou uma estranha desajustada em um corpo indisposto.