hello there
vulcano
@fuckaneurysming
maiamero, 21 • conjunto expositivo de poesias visuais e textuais. expresso as minhas emoções com todas as linguagens que posso dominar e algumas vezes, utilizo a do outro para ser compreendida.
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  • original (escrito no meu caderno): aqui é um lugar solitário e quando noto algo parecido com meu estado interior fico me sentindo desamparada. minha mãe falou sobre o meu corpo como se o próprio já não me deprimisse o bastante.eu estou com fome e cansada. é difícil achar um lugar material para chamar de casa quando não existe nenhum suporte psicológico para tal. quando eu penso no futuro, não consigo me enxergar onde gostaria porque todos ao meu redor são tóxicos e não podemos viver em paz. eu estou exausta das dores no estômago por conta deles - penso que vou me matar antes de achar alguma solução. sinto que ninguém está disposto a se doar como eu estaria. por que isso me decepciona? por que e sou tão egoísta? percebi que sou extremamente carente e isso parte o meu coração - mais do que aconteceria em outros dias. por que não consigo sair desse ciclo? eu me faço miserável. gostaria de me retirar nesse tempo onde apenas sobraria minha carcaça que é forte e toda minha fragilidade se despiria. eu não consigo encontrar o equilibro em mim. 


    08 de dezembro de 2017


    correções: a casa onde minha mãe reside agora é parecida com o meu estado interior. nada nasce e nada morre. e sinto que mais uma vez, caio no vácuo onde não há algo para me segurar ou me estabilizar, o desamparo chega como um carro sem freio. a verdade é que minha alimentação não está saudável, tenho me envenenado com alimentos como se o estresse não fizesse o suficiente, então devo admitir que desconto as minhas frustrações na comida e engordo (engordar sempre foi um problema para mim e é óbvio que seria depois de tantos avisos), então minha mãe não pode deixar de falar sobre o meu corpo como se eu não tivesse um espelho e o próprio não me deprimisse o bastante. minha cabeça pesa e o meu corpo pede por alimento - estou jejuando para que eu possa valer mais a pena. fico triste ao pensar que nenhum lugar serviu para que eu pudesse chamar de casa, para retirar minhas armaduras e descansar. nunca existiu um apoio onde eu encontrasse o colo para chorar e ser protegida. (isso ainda mexe comigo, escrever de maneira sincera parece uma corda sendo amarrada em meu pescoço). como eu poderia conhecer um lar nessas condições? cada vez que tento mudar aparecem situações que não só me testam, mas me fazem desistir, então é como seu eu nunca fosse alcançar o estado que “necessito” (eu usaria a palavra desejo, mas é o ego comandando). eu sei que tudo depende de mim, mas é tão tóxico que drena toda a minha esperança. eu me sinto velha e sem forças. as dores por esgotamento têm incendiado o meu estômago como se o próprio diabo estivesse amassando o pão no meu órgão. é doloroso e queima. arde como o inferno. e sempre sonho em causar a minha morte para que isso termine logo, quase acredito que vou fazê-lo antes de achar uma solução. como acredito que sinto da maneira que ninguém sente, também fico ciente de que ninguém se doaria da maneira que eu faria e isso me quebra. por que isso me decepciona? por que eu sou tão egoísta? notei que sou carente como os indivíduos que me incomodam e essa verdade parece sambar de salto agulha em mim. eu me faço miserável. sonho com o dia em que minha carcaça ficará porque é forte o suficiente e minha fragilidade se dissipará como gás no ar e talvez, o equilíbrio chegará. pois sei que não o tenho e não o consigo encontrar sentindo-me assim. 

    12 de dezembro de 2017

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