[a criação do cataclismo]
morando entre as camadas,
instalando-se em profundidade
- silêncio -
como uma cobra que rasteja sob a água
calma e paciente
a estranheza é ignorada
pela fixação que a hipnose traz
- linha tênue entre ordem e anarquia -
esse estado é tão similar a lógica
naturalmente porque tudo que requer início
necessita de um fim
- o ciclo é anunciado! -
e os términos que existem em mim
são caóticos
como vulcões entrando em erupção
ou furacões destruindo vilas inteiras
- ocasionalmente -
não sou iniciadora de nada,
mas faço parte de todos os fins
como um parasita viral
intercalo as vítimas
e as ofereço caos embrulhado em dedicação
finalizando todas suas grandes obras
porque tudo que reside
entre as lacunas que não são iluminadas,
que sobrevivem no meu inconsciente
é o caos.
[melancolia pós-apocalipse chega]
o fim é anunciado em trombetas celestiais
um standard de hieronymus bosch
o inferno não são os outros,
mas as faces que buscam protagonismo
falando em meu cérebro,
- sussurrando, gritando, criando -
e nunca se calando
um elenco de lesmas devorando o cadáver
esse corpo também é meu
e as lesmas também fazem parte de mim
- o curso é sempiternal [samsara!] -
e fico presa em minha armadilha,
a viúva negra enrolada em sua própria teia.
[a hierarquia é cármica]
tudo que está fora da visão
parece inexistente,
a matrix silencia a desordem
consentindo com a alienação
e a ferida nunca para de sangrar.
- vermelho pinta o cenário -
e voltamos para a origem.
[silencioso e sangrento]