hello there
vulcano
@fuckaneurysming
maiamero, 21 • conjunto expositivo de poesias visuais e textuais. expresso as minhas emoções com todas as linguagens que posso dominar e algumas vezes, utilizo a do outro para ser compreendida.
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  • [a criação do cataclismo]

    morando entre as camadas,
    instalando-se em profundidade
    - silêncio -
    como uma cobra que rasteja sob a água
    calma e paciente
    a estranheza é ignorada
    pela fixação que a hipnose traz

    - linha tênue entre ordem e anarquia -

    esse estado é tão similar a lógica
    naturalmente porque tudo que requer início
    necessita de um fim

    - o ciclo é anunciado! -

    e os términos que existem em mim
    são caóticos
    como vulcões entrando em erupção
    ou furacões destruindo vilas inteiras
    - ocasionalmente -
    não sou iniciadora de nada,
    mas faço parte de todos os fins
    como um parasita viral
    intercalo as vítimas
    e as ofereço caos embrulhado em dedicação
    finalizando todas suas grandes obras
    porque tudo que reside
    entre as lacunas que não são iluminadas,
    que sobrevivem no meu inconsciente
    é o caos.

    [melancolia pós-apocalipse chega]

    o fim é anunciado em trombetas celestiais
    um standard de hieronymus bosch
    o inferno não são os outros,
    mas as faces que buscam protagonismo
    falando em meu cérebro,
    - sussurrando, gritando, criando -
    e nunca se calando
    um elenco de lesmas devorando o cadáver
    esse corpo também é meu
    e as lesmas também fazem parte de mim

    - o curso é sempiternal [samsara!] -

    e fico presa em minha armadilha,
    a viúva negra enrolada em sua própria teia.
    [a hierarquia é cármica]

    tudo que está fora da visão
    parece inexistente,
    a matrix silencia a desordem
    consentindo com a alienação
    e a ferida nunca para de sangrar.
    - vermelho pinta o cenário -
    e voltamos para a origem.

    [silencioso e sangrento]

  • 1 note
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    [meditação do mar]
  • cenário de produção para a meditação: o som do mar e suas “flutuações”. você é influenciado pela lua mais do que pelo mar. o seu corpo acompanha o balançar do fundo d’um barco. você experiencia os polos da mãe Terra e conhece os seus irmão Sirius.

    feche os olhos. o cenário é escuro e quando você finalmente abre o seu Olho - o verdadeiro - há uma praia deserta à sua frente. o sol estendido sob a sua cabeça, enquanto o horizonte apresenta o tom do paraíso escondido sem nuvens no céu. a areia invade o meio dos seus dedos e a brisa leve do mar assopra o seu cabelo. o clima aquece o seu interior, enquanto você vai de encontro a abundância. a água aquecida toca seus membros inferiores e essa parte é diluída ao mar. como sal em um copo d'água. caminhando até o seu verdadeiro destino, o seu corpo inteiro é dissolvido. você faz parte do oceano. as suas partículas são desprendidas do antigo. sem aglomeração. você está por cada parte e também, não está. os átomos boiam e afundam. você sente o calor que aquece um interior etéreo e pode experimentar o gélido e escuro fundo-do-mar em suas extremidades. luz e trevas abraçam seus fragmentos e você faz parte disso. você é isso. a sabedoria e a inocência. a ignorância e a inteligência. a consciência flutua em conjunção ao astro rei e rapidamente, imerge até o centro da terra. calor, frio e calor. você percebe a vida e a morte que é a sua natureza. as cores existentes em lugares não explorados e as dores causadas pelo contato descuidado. o estado de congelamento e a euforia do calor em clandestinidade. o fluxo é ditatorial e o círculo nunca para. você é o todo e o todo é você. a verdade é a imutabilidade da constância e do inteiro. e o inteiro é vazio. e o nada é preenchido. a vibração desse organismo que você faz parte e que é você afeta cada elemento existente. mais do que o seu espírito, a mente de deus balança em uma dança - furiosa em seu interior e branda em sua superfície. o entusiasmo é o primeiro som. o que cria, mantém e destrói. nada foi dito, mas foi escutado. naturalmente. você é onipresente - onde não precisa ser matéria, mas uno com a criação. a criação é você e você é o criador. a paz urde pelo caos que reagrupa as suas células. a materialidade é refeita e o seu corpo sustenta-se por maya. o cheiro do sal invade as suas narinas e os raios de sol amornam a sua derme. você respira profundamente e nada até a costa. o nirvana é experienciado.

  • 1 note
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  • ontem Você veio até mim!

    as esmeraldas que vivem no seu interior brilharam em minha direção como grandes faróis que gritam:
    - Você está viva!,

    continuo dizendo que rastreou a Mim
    enquanto viajei entre as possibilidades do universo e no infinito d'Um sonho Te encontrei. dormindo e consciente da Verdade. olhei em seus olhos e despi-me da raiva e do ódio. dei a Ti permissão total de desnudar toda a minha não-materialidade e fui forte. o Amor tocou cada sombra que fica oculta em meu inconsciente e iluminou todas as extremidades que me afastam do divino. Eu Mereço. Você Também. retirei o manto da ignorância que me aquecia em solidão e percebi que somos Um. a projeção que acredito ser Você, sou Eu porque juntos Somos. e toda beleza viva em Ti, vive em Mim.

    hoje Você sorriu!

    logo o nosso Espírito dançou livremente pela Terra Sagrada que habita em Mim e existe em Ti.

    (a Salvação vem através de vias ocultas, mas a Verdade sou eu)

  • 1 note
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  • quero escrever uma carta aberta e expor em meio a praça pública, mas não faria diferença desde que somos invisíveis e nossos sentimentos não são ouvidos, são calados.
    nossas bocas se abrem e só temos direito ao primeiro choro antes de todas as nossas paixões serem suprimidas e nossos desejos serem empurrados pela nossa garganta junto com o ódio que nos é ensinado. nada é mais familiar em nossa fisiologia do que a repulsa a nós.
    eu me lembro pouco de ser criança, mas recordo dos baques sofridos durante o meu crescimento:
    todos os elogios direcionados a minha mãe eram ligados a sua capacidade de interpretar a mística feminina e atravessar as jornadas triplas. nunca sobre o seu grande coração ou sua paixão pela poesia. minha irmã aos quinze costumava fazer séries de exercícios em um quarto de 5m² para tentar emagrecer. o amor que ela tinha por simplesmente correr sem rumo desapareceu. minha prima entrou na natação e apenas comentavam como o seu corpo afinava. nunca admiravam a sua capacidade de atravessar um tanque de água com o triplo da sua altura em uma dança sem coreografia.
    a sentença de tornar-se mulher parece óbvia: ser vista pelo seu físico e não estar em paz com o próprio. (e apesar de residir nele, não ser dona dele)
    conheci a tristeza e fiz laços fortes. alimentava-a como a mim e algumas vezes, em dobro. a tristeza foi cavando um buraco em mim e eu apenas tentava preencher até o dia que fui acusada por isso. tentei despejá-la, permiti que a própria fervesse dentro de mim e depois que endurecesse. algum tempo depois, acolhi o pesar e nada é mais perturbador em uma casa que esse visitante que se esconde e multiplica, rapidamente pesando no estômago.
    o arrependimento não é só um nó na garganta, mas uma rocha sob o umbigo que não faz nada ser digerido.
    se os homens acham difícil dormir após uma ceia farta em que entopem-se de morte e gordura, imagina se vivessem com essa sensação de indigestão. as mulheres vivem com a culpa e dão suas migalhas para ela.
    uma década depois da minha primeira sentença e todas as curvas que desejei quando visualizava aquelas mulheres parecem medonhas demais. rapidamente naturalizei todo o mau estar do século, demonizado a saúde e priorizando o padrão estético. o fértil parece doente e preguiçoso, enquanto a inanição é um sonho. quantas de nós são ensinadas a odiar a própria força? todas. e mesmo aquelas que conseguem driblar o processo e reconhecer o seu poder, são sufocadas para jamais ostentá-lo, porque o conforto incomoda o nosso sistema e a tranquilidade presume o óbvio: que somos tudo que precisamos ser.
    o cômico é que mesmo reconhecendo toda a problemática, não sou capaz de ser empática comigo e não consigo parar de seguir o modelo das mulheres ao meu redor - de se odiar. enquanto permaneço deitada, incomodada com ossos sob ossos e uma dor que atravessa minha coluna aos quadris, não penso na vida, mas em uma maneira de não morrer sem quebrar dentes ou correntes, mas meu coração ainda arde e vibra com o poder de cada mulher que consegue ultrapassar esse obstáculo e sonho com o momento de nossa união onde retomaremos a posse não só de nossos corpos, mas de nossas fantasias e de nossas memórias.
    sendo mais do que livres, sendo mulheres.

  • 3 notes
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  • estou novamente na borda
    e esse lugar costuma ser mais familiar do que os outros
    surgem os pensamentos, os sentimentos e os desejos
    como um fungo que só pode ser percebido depois da própria evolução
    essas ideias brotam sem a necessidade de rega,
    iluminação ou de cuidado
    suas raízes são cravadas em cada espaço da minha mente
    e na escuridão posso identificar o reflexo distorcido
    é a minha persona e o meu ego - um só
    quantas vezes vou continuar arruinando a mim?
    destruindo os meus verdadeiros sonhos e transfigurando-os em pesadelos alheios
    - a verdade é que como um furacão, não poupo nenhuma residência
    sou eu e o outro em demolição
    em estilhaços expostos para que possa ferir e chocar
    mãe, você já se sentiu assim?
    é por isso que você sempre nos manteve do outro lado da redoma?
    todos os demônios que falam dentro do meu sono
    são as minhas divisões
    e ser apenas um “eu” nunca vai ser o suficiente,
    então permito que eles me puxem para o inferno
    e cada passo é uma autossabotagem declarada em forma de dança
    vagueio por cada departamento da minha vida e ateio fogo pelos andares
    tudo está em chamas e o bicho-papão decide que o meu romance não é tão brilhante,
    o sangue não é tão quente, as comunicações não são presentes e eu,
    eu não sou equilibrada.  

  • 5 notes
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  • como uma forasteira, a depressão que é estrangeira rapidamente se esconde no meio da minha mente, dissimulando familiaridade passa despercebida pelos meus pensamentos soltos até que tudo perde o sentido. perde o sabor, a cor e o calor. o grande deserto escaldante é tampado por nuvens pesadas que ficam cada vez mais sobrecarregadas e mudam o clima regional. é assustador, porque não existe nada aqui que esteja preparado para um temporal. esse solo não foi feito para ser encharcado. o pânico surge como um raio que fragmenta a terra e os poucos animais que sobrevivem nesse ermo entram em choque, seus corações batendo mais rápido do que um manada que corre para sobreviver de leões. o leão faminto é a ansiedade. quando isso vai acabar? quando o sol vai aparecer? quando as coisas vão voltar ao seu estado natural? eu sinto que estou morrendo e a culpa é minha. a verdade é que agora tudo está sendo destruído. como eu poderia criar muros em um terreno selvagem quando essa cova está transbordando e nenhum aviso foi dado para construir minha arca? 

    eu sou o terrível deus do antigo testamento.

  • 2 notes
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  • adormecida em sua memória e
    viva em uma fotografia apagada
    que se esconde no bolso traseiro
    o pretérito nunca pareceu tão longe em uma mente cheia de lembranças
    com poucos arrependimentos e um bocado de acertos
    é necessário readaptar para seguir em frente e o que eu era foi -
    remodelado, estancado e dividido
    paralisada observo todo o seu futuro brilhante
    ao passo que como uma vela
    derreto-me em lágrimas e minha luminescência sucumbe a solidão
    não há ninguém,
    nem para suprir ou fomentar
    o retrocesso é tangível em uma mente infantil
    onde existia amor, compete o medo
    e a alegria é governada pela ira
    espalhando-se como a cólera viral
    eu sou os ossos jogados sob os pratos e lançados ao lixo
    incômodo e quase descartável para uma família faminta
    não sento à mesa, pois meu sofrimento serve de nutrição
    e não permaneço mais do que o suficiente
    visto que um espírito pobre incomoda.
    você não quer mais reviver o passado e sem espaço para me ocultar -
    sou desfeita no acaso da sua amnésia.

  • 2 notes
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  • com licença!
    por favor!
    deixe o caminho livre!
    estou com pressa, pressa.
    eu tenho pressa.
    a preocupação me domina e o estresse surge coo uma lápide no caminho
    despenco e paraliso no meio - do roteiro ou da vida?
    eu não sei
    mas estou entorpecida e a movimentação ocorre rápida demais para que possa ser assistida
    não consigo levantar e não tenho forças para avançar
    o meu coração aperta
    as minhas costas são miradas
    como um cervo diante do caçador agarro-me ao último suspiro e dói
    ninguém parece notar
    andam ao meu redor sem pressa, sem precaução
    o desespero surge como uma faca cravada na espádua
    sou inseparável com o aço e me sinto um fracasso
    fui uma criança prodígio
    crescida em uma redoma de vidro e atirada avante dessa na segunda década do outono
    eu não sou especial,
    eu não sei o que fazer e eu não sei quem eu sou
    tenho pressa para descobrir, tenho pressa para alcançar
    e tenho pressa para ir embora desse delírio
    o mundo foi capitalizado
    e eu não suporto a minha mente rodando mais rápido que suas engrenagens para associar essa verdade
    eu não quero ser deixada para trás
    mas a globalização está acabando com tudo
    com meus sonhos e poemas
    eu não tenho paz e não posso mais acompanhar
    eu tenho pressa,
    mas não tenho direção
    e logo, nem respiração.

  • 2 notes
    1567471223
    eu sei
  • eu sei, eu sei, eu sei.
    repito incessantemente não porque eu sei
    mas porque gostaria de saber
    e, aqui, fica evidente minha falha de conduta
    eu quero saber, mas não quero que me diga
    não quero respostas prontas,
    mas quero saber da mesma forma que sabemos respirar ao chegar nesse mundo
    instintivamente 
    quero saber porque sinto que nada mais me resta,
    porque nada mais me basta, porque nada mais me cabe
    então apelo ao deus que duvido e peço por um milagre
    nunca chega e não entendo se sou eu ou se é ele
    não existe ou não mereço?
    e mais uma vez, eu quero saber
    eu quero saber qual é a ordem das coisas
    e quero entender
    qual é o meu lugar?
    é o que eu quero saber. é o que eu sei.

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    1566333573
  • a tristeza encontrou um novo descanso entre as minhas lacunas,
    como se não fosse o suficiente, a sua estadia repentina
    trouxe consigo centenas de pensamentos ou mais
    e como um afogamento que costuma ser silencioso,
    rapidamente fui engolida e consumida.
    o meu verdadeiro eu encontra-se desacordado
    e os meus pulmões são preenchidos por um desespero que não pode ser gritado.
    eu quero deitar e me enrolar sob os meus ossos até desaparecer
    como um barco que some no horizonte diante de olhos curiosos,
    mas a única espectadora dessa tragédia é a minha mente.

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