você se foi sem dar tchau, apagou a luz e deu as costas para o que chama de amor. eu grito dentro da solitária e eles não podem acreditar em mim, pois esse inferno dói tão profundamente pelos meus demônios e o mal estar apresenta-se nos meus sonhos. eu sinto muito por sentir demais. eu não quero continuar aqui. e tudo parece muito maior do que é e sou menor do que todas as coisas ao meu redor. desejo dormir e não estar mais presente, mas a dor me relembra que eu sou sempiterna na selva que existo. não posso jamais morrer. estou cansada de estar no cansaço que me criaram. de não ser ouvida, de não ser tocada. sem esperança, longe do que chamo de casa, distante do pouco conforto, choro as dores infinitas. rasgo a minha garganta em busca de um conforto que nunca poderei alcançar. rasgo a minha pele de maneira que eu possa recordar. você não pode me suportar mais tempo. eu não posso mais primaveras.