hello there
vulcano
@fuckaneurysming
maiamero, 21 • conjunto expositivo de poesias visuais e textuais. expresso as minhas emoções com todas as linguagens que posso dominar e algumas vezes, utilizo a do outro para ser compreendida.
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“o que está acontecendo?”
  • me perguntam. eu me pergunto. 

    mas não existe uma resposta exata para isso, caso existisse, provavelmente não haveria esse sentimento inquieto onde nada realmente se encaixa, onde principalmente, eu não me encaixo nesse corpo, nessa vida. 

    porém devo alertar que muitas coisas aconteceram, deixei que passassem de maneira batida. inicialmente, por não acreditar na minha voz, depois pela vergonha que me consumia por admitir que aquilo me afetava. em certo período, deixei a raiva consumir cada partícula do meu corpo. a verdade é que isso não faz com que eles sejam destruídos. e agora, acredito que à essa altura, estou me tornando passiva desde que cansei de usar o meu corpo para frear acidentes de carro. algo que só me custou feridas e ossos quebrados. 

    juro. juro que estou tentando concertar as coisas. de maneiras diferentes. 

    estou tentando me encontrar. como posso encontrar alguém que nunca quis estar aqui? como posso encontrar alguém que sempre quis ser outro ao invés de si mesmo? como posso dizer que sou algo se ser eu nunca pareceu o suficiente?

    a pergunta é errada. eu sei. mas mesmo quando me pergunto a certa: “o que aconteceu?” não parece válida, não parece captar o necessário para explicar porque me encontro nesse estado de carcaça. 

    não acredito que exista algo aqui para ser aproveitado. não nos dias de melancolia. não quando deixo de vestir o manto da ignorância. não quando estou sozinha, porque nem a minha companhia é o suficiente. sou isolada de mim por grandes muros e salas gélidas. nada cresce aqui, apenas sobrevive. 

    “o que está acontecendo?” eu apenas estou fodendo tudo. não é porque não me importo, eu ligo tanto que isso me consome, mas estou cansada. de sentir dor, de sentir o vazio. das palavras que não são suficientes e da empatia que não parece receptiva. 

    eu sou uma estranha desajustada em um corpo indisposto. 

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  • por mais que eu tente evitar, a minha parte defeituosa sobressaí como um cão de guarda, enquanto as poucas qualidades permanecem em um porão.  

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  • profano é este corpo lotado de dores, 

    a doença transborda além das entranhas para uma erudição:

    você não é bem-vindo. 

    um monstro não deve pisar em terreno santo, mas você continua sujando o solo alheio. o que não é seu, nunca vai ser. ainda que sua perversão sirva de alimento ou sua cólera apareça como lavradora. este não é o seu lar. 

    você é profano. e sua carne apodrece aos poucos, lentamente, para que não esqueça jamais que não pertence a este lugar. mesmo quando tenta. 

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  • gostaria de escrever. 

    ou apenas explodir os meus miolos. 

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  • gostaria que o meu ódio fosse adequado ao ponto de finalmente conseguir:

    - me matar. 

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  • há dias que este momento chega: o ápice onde não reconheço quem eu sou. no final das contas, eu fui muitas. a filha dedicada, a menina curiosa, a neta compreensiva, a irmã tirana, a namorada bipolar e a enteada idiota. todos os fragmentos me formam, mas não enxergo como posso viver definida por tais.
    eu estou nesta casa que chamam de “de sua”, no caso minha, mas a única sensação que tenho é que se posso ser alguém aqui. sou a estrangeira. não houve um dia no meu próprio corpo que também não fosse uma forasteira. não importa o quanto tente encontrar a saída deste labirinto, continuo dando voltas como se o propósito fosse jamais se encaixar. 


    o que eu sou? qual é o meu potencial?


    são 00:03 e meu corpo diz para eu parar. já me machuquei demais, já fui suficientemente despedaçada. 


    vai dormir.

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  • eu estou depressiva e até para o mais nobre coração é difícil me amar. 

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  • toda vez que escrevo, vomito porque vivo engolindo estragos.
    penso que posso aliviar as minhas dores ao eternizá-las, mas quando faço, acabo revelando feridas ainda mais profundas. sou invadida pela necessidade de memorizar e descrever o que me dilacera de um canto ao outro. mas como pode uma criança ter inúmeros traumas?

    tenho realmente pensado em voltar para o meu tratamento e considero isso um sinal de fraqueza. não que as pessoas não possam fazer, mas especialmente eu, eu não devo. eu não quero ser controlada por um medicamento, mas será que a minha prisão não é uma salvação para os demais? será que não é o meu distúrbio que causa tantos problemas e desentendimento ou deveria culpar a minha personalidade formulada por um ego carente? essas faces que a madrugada apresenta acabam sendo mais sinceras do que eu poderia ser com um terapeuta. eu estou cansada de contar o que acontece no meu dia-a-dia como se fosse anormal, mas por que tudo me toca tão profundamente? só aconteceu dos meus pais se divorciarem, das minhas primeiras amizades serem incertas e de muitas pessoas decidirem ir. creio que também tudo que surge pode ser um consolo para a futura tragédia que eu serei. 


    delírio:
    [o caos estaria sempre à procura de Ares?
    seguindo-o como uma sombra
    e acometendo-lhe como um pesadelo
    para que jamais pudesse deixar de ser (Deus da) matança personificada?]


    01:24. é tarde, escrevo sem realmente querer - é uma ação automática como a minha respiração. tudo dói e é minha culpa (mais uma vez).

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  • para me amar é necessário ser tóxico, 

    então sempre serei adulterada pelo amor.

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    compilações de uma mente confusa.

  • [correções de um coração menos nublado e um cérebro que procura palavras mais certeiras para definições sentimentais, considerando que isso poderá ser lido num futuro e melhor compreendido.

    é necessário entender que na semana dos escritos foi lido Comer, Rezar, Amar e ocorreu a morte de um antigo ídolo que afetaram a minha percepção da realidade.]


    18. o desespero bateu e não posso negar o quanto eu me sinto só - não desgosto da solitude, mas existem dias em que a minha vinda é um gatilho cheio para ficar mal e então, adoraria me sentir completa, então como posso ficar mais perto de Deus? por que estou Lhe chamando depois de tanto tempo? nasci em uma família católica (e não que sejam os únicos a acreditam ou que tenham o registro de um Ser, mas) tentei uma grande parte da minha vida negando e tentando desacreditar dessa existência, provavelmente por não gostar dos dogmas que me eram apresentados sem entender que não precisava segui-los para amá-lo e assim criei essa grande distância onde sou quase um adulto tentando acreditar no Papai Noel mesmo que seu espírito esteja ao meu redor - sou cética ao ponto de ser cega. e como sempre fui cativada pelo budismo onde dizem que somos senhores de nós mesmos, levo em conta que há um Deus que reside em mim, mas como uma divindade pode morar onde a angústia e tristeza são mestres da casa? (eu não deveria ser supostamente livre dessas soberanas ao ser a Presença, quando a Entidade é amor, paz e conforto?)

    a verdade é que sempre acreditei em demônios, mas o potencialmente celestial nunca me tocou.


    21. tive uma imagem mental. a ideia é supostamente uma maldição ou alguma obra diabólica como castigos medievais. mas basicamente é a minha atual vontade. (diversos pontos sem realmente alguma necessidade. eu sei.)
    gostaria de separar meus membros inferiores dos superiores e vagar usando apenas as pernas. tenho certeza que essa perda seria favorável e eu finalmente poderia seguir para onde meus pés sempre desejaram. supostamente são infinitamente ambiciosos, mas a minha mente preguiçosa, deprimida, perseguida não faz muito a respeito para satisfazê-los uma vez que a própria não é realizada. me sinto doente até o fígado. não posso ser e nem estou confortável nesse corpo, nessa vida. devo ser honesta e dizer que o problema aqui é a minha psique e o fato de que nada faço para modificá-la senão piorá-la. minha atual localização é o litoral sul de são paulo, mas isso é fisicamente falando, porque estou nessa fenda do tempo onde nada realmente acontece além do que é imaginado, então tudo é o tempo todo criado e o seu sofrimento é tangível (por sua culpa).

    e aqui encontro um vazio para falar sobre o que me agrava.
    jonghyun (o vocalista líder de shinee - que descanse em paz!) se suicidou e com diversas notícias sendo expostas, não poderia escapar de ler algo quando era a única coisa que falavam. 27 anos. e a sua carta de suicídio acabou sendo publicada onde o próprio havia escrito, “eu estou quebrado por dentro. a depressão que aos poucos estava me comendo, acabou me engolindo.”] e assim, tudo ao meu redor parou, tudo e nada eram silenciosos. a escuridão era o vácuo e esse espaço me engolia. não é romantização dizer que foram suas palavras que me tocaram, considerando que a multidão que me era passada não chocava, mas enxergar e me identificar com a dor é desesperador. a depressão (e não só essa como a oscilações de humor, todos os transtornos mentais) é desesperadora. e eu me vi perdida, mas ainda procurando (como o próprio tentou o tempo todo). estou procurando ainda. e é tão cansativo como se meu lugar não fosse aqui.

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