hello there
vulcano
@fuckaneurysming
maiamero, 21 • conjunto expositivo de poesias visuais e textuais. expresso as minhas emoções com todas as linguagens que posso dominar e algumas vezes, utilizo a do outro para ser compreendida.
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  • eu tentei dormir agarrada ao meu travesseiro porque algumas vezes nossos pensamentos encontram-se tão divergentes que me sinto solitária mesmo em grande companhia. eu me afasto de todas as coisas que me lembram a você pois sei que estou quebrada antes mesmo de cair ao pedaços. eu não quero as suas palavras de rejeição, mas é óbvio que as terei para que me sinta o cervo diante do farol que é arremessado para o outro lado da estrada por ser ingênuo. eu não posso dizer o quanto me machuca porque assinaria o meu atestado de óbito e na autópsia diriam que eu sempre estive doente - quando meu distúrbio foi amar demais.  


    todo ouro que eu toco acaba enferrujando.

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  • meu humor é essa montanha russa que eu gostaria de controlar só para que fosse mais fácil para você estar perto de mim.

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  • fico magoada quando me desgasto durante o dia para que você sinta um pouco a mais do amor que tenho para lhe dar e você some. 


    a verdade é que você tem desaparecido muito e quando surge é como essa pessoa que não pode aceitar respostas negativas porque a rotina lhe rejeitou o suficiente para aguentar. o que você tem feito na sua própria cabeça? apesar de ser auto-destrutiva, acredito que meus balanços de energia permanecem os mesmos, com as atitudes de meses atrás e não mudo a essência que quase me amaldiçoa, mas quase não o reconheço com a nova máscara que utiliza. você está quebrando e não é pelas bordas, mas nas trincas da sustentação. como amadurecer pode ser tão desprezível?


    19:16, eu quero escrever tantas coisas, mas sinto medo de onde isso pode me levar. como se eu reconhecer o que há com você pudesse destroçar a mim mesma. eu pergunto se você me ama pois já não é a mesma pessoa que me amava naquele dia em que adormeci em seu colo enquanto tinha os dedos em meus cabelos. eu sinto muito, meu amor. você está permitindo que a vida lhe endureça (mais).

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  • só conheci a minha dor 
    e logo, 
    dela eu me alimentei.

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  • foi difícil cair no sono nessa madrugada e mesmo deitada na cama, as palavras que eu desejava escrever ficaram rondando a minha cabeça como se precisassem ser exteriorizadas para que o sentimento de lucidez permanecesse. eu me afasto porque estar perto é um veneno apesar de ser antídoto, porque você não pode me amar até que eu derreta como o sol faz com congelados e apesar da minha intesidade de afeto só posso fazê-lo em horas exatas, jamais de maneira contínua e encontro a minha dualidade como enxergo a sua onde há necessidade de espaço, mas por que o deseja quando sua companhia parece oxigênio para mim? e assim, sei que não devo me aproximar mais, que não devo me abrir mais do que fiz, porque se você já causa essas desgraças com apenas feixes da minha sensibilidade, imagine com uma grande lacuna. eu não sei amar e apesar dessa verdade trágica, eu tento, mas como de costume, destruo tudo - se não for pra te colocar em pedaços, então faria de mim outra pessoa. como alguém que nunca recebeu amor pode saber como amar? eu não acredito que tenho sido amada o bastante para saber ou lembrar dos atos, do conforto. por que tudo é tão distorcido nessa minha realidade? parece que quando tento andar em estradas retas, meus pés entortam para que eu entenda que ali não é o meu lugar. ser saudável não é para mim e como eu gostaria de ser, mas isso é diferente. não fico impressionada pelas idas das pessoas, antes das próprias fazerem é quase como se eu abrisse mão para que não as sufocassem ao tentar porque é o que meu apreço faz, afoga, esmaga, deforma e apesar do medo extremo de ser abandonada, tento fazer com que todos os façam porque sei o quão árduo é estar ao meu lado - sem saber o que essa cabeça realmente pensa. amaldiçoado sejam os meus sonhos que me contam verdades enquanto durmo e parecem permanentemente mais real que a vida de olhos abertos.

    12:51, escrevo agora porque não é seguro conversar, a minha casa não é um bom lugar para contar segredos e por fim, tudo foi vomitado.

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  • a verdade é que eu me vejo parada enquanto o mundo muda. quando era mais nova, tinha o costume de pensar que a realidade dos outros só se tornavam interessante pela minha presença - como se eu fosse o caos que faz tudo acontecer, mas ao ficar muito tempo próxima, atenta como os mais velhos que esperam notícias todas as noites, percebia que tudo era igual, a evolução estrondosa não parecia nada com um peão girando, mas como uma criança que tenta dar os seus primeiros passos. e logo me convenci de que não valia a pena estar ao lado deles, que essa rotina que desafia era tediosa apesar de ousada e sempre precisei de constante movimentação (atenção). e entendi que meu lugar na vida de algumas pessoas era ser telespectadora, agir como um sujeito observador e seguir. mas essa semana, a vida tem me sacudido para cada lado que eu não pude deixar de olhar para trás e buscar as pessoas do passado no presente e o caminho que tomaram surpreende ao ponto de me cegar. nunca soube quem elas eram e agora, muito menos como quando ouvimos nossos avós falarem de política depois da sobremesa e nós só sabemos o nome do atual governador. eu vejo a todos com tanta confiança, aprendendo sobre a vida e quando olho meu reflexo, só enxergo os medos, que tem sido alimentados, portanto gigantes e é como cada experiência, vivência não fosse nada senão uma carta lida em francês quando falo em alemão. eu sei que tenho crescido, lembro da sensação do amarelo em meu peito e o Sol me iluminando, mas estou temporariamente cega, me deixando levar - eu sempre deixo e é quase como se o universo se deformasse cada vez que eu pudesse quase encaixar em suas bordas e então, eu estou no começo da linha de partida. parada enquanto o som da chegada acabou de ser disparado.

    20 de novembro de 2017.

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    1513046280
  • original (escrito no meu caderno): aqui é um lugar solitário e quando noto algo parecido com meu estado interior fico me sentindo desamparada. minha mãe falou sobre o meu corpo como se o próprio já não me deprimisse o bastante.eu estou com fome e cansada. é difícil achar um lugar material para chamar de casa quando não existe nenhum suporte psicológico para tal. quando eu penso no futuro, não consigo me enxergar onde gostaria porque todos ao meu redor são tóxicos e não podemos viver em paz. eu estou exausta das dores no estômago por conta deles - penso que vou me matar antes de achar alguma solução. sinto que ninguém está disposto a se doar como eu estaria. por que isso me decepciona? por que e sou tão egoísta? percebi que sou extremamente carente e isso parte o meu coração - mais do que aconteceria em outros dias. por que não consigo sair desse ciclo? eu me faço miserável. gostaria de me retirar nesse tempo onde apenas sobraria minha carcaça que é forte e toda minha fragilidade se despiria. eu não consigo encontrar o equilibro em mim. 


    08 de dezembro de 2017


    correções: a casa onde minha mãe reside agora é parecida com o meu estado interior. nada nasce e nada morre. e sinto que mais uma vez, caio no vácuo onde não há algo para me segurar ou me estabilizar, o desamparo chega como um carro sem freio. a verdade é que minha alimentação não está saudável, tenho me envenenado com alimentos como se o estresse não fizesse o suficiente, então devo admitir que desconto as minhas frustrações na comida e engordo (engordar sempre foi um problema para mim e é óbvio que seria depois de tantos avisos), então minha mãe não pode deixar de falar sobre o meu corpo como se eu não tivesse um espelho e o próprio não me deprimisse o bastante. minha cabeça pesa e o meu corpo pede por alimento - estou jejuando para que eu possa valer mais a pena. fico triste ao pensar que nenhum lugar serviu para que eu pudesse chamar de casa, para retirar minhas armaduras e descansar. nunca existiu um apoio onde eu encontrasse o colo para chorar e ser protegida. (isso ainda mexe comigo, escrever de maneira sincera parece uma corda sendo amarrada em meu pescoço). como eu poderia conhecer um lar nessas condições? cada vez que tento mudar aparecem situações que não só me testam, mas me fazem desistir, então é como seu eu nunca fosse alcançar o estado que “necessito” (eu usaria a palavra desejo, mas é o ego comandando). eu sei que tudo depende de mim, mas é tão tóxico que drena toda a minha esperança. eu me sinto velha e sem forças. as dores por esgotamento têm incendiado o meu estômago como se o próprio diabo estivesse amassando o pão no meu órgão. é doloroso e queima. arde como o inferno. e sempre sonho em causar a minha morte para que isso termine logo, quase acredito que vou fazê-lo antes de achar uma solução. como acredito que sinto da maneira que ninguém sente, também fico ciente de que ninguém se doaria da maneira que eu faria e isso me quebra. por que isso me decepciona? por que eu sou tão egoísta? notei que sou carente como os indivíduos que me incomodam e essa verdade parece sambar de salto agulha em mim. eu me faço miserável. sonho com o dia em que minha carcaça ficará porque é forte o suficiente e minha fragilidade se dissipará como gás no ar e talvez, o equilíbrio chegará. pois sei que não o tenho e não o consigo encontrar sentindo-me assim. 

    12 de dezembro de 2017

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    1513044131
    o passado em nossas lembranças sempre parece menos amargo.
  • eu percebo isso quando olho para trás e consigo sentir a nostalgia me invadir aos poucos, quando consigo enxergar os bons momentos que existiam dentro da bagunça que me encontrava e apesar de dizerem que isso é maturidade, eu vejo como sadomasoquismo. todo o meu passado foi infeliz, porque sempre fui metade - permiti me dissolver nos poucos alheios para que pudessem transbordar como se aqui dentro já não fosse vazio o suficiente para eu me doar. eu procurei tanto o amor que ele rasgou as minhas pernas, ainda sinto as feridas que foram abertas e como ardem em contato com a água. eu quis fazer parte e não nego que ainda desejo me encaixar em algo como as peças certas de um quebra-cabeça mesmo sabendo que somos pedaços de estrelas e como tal, juntos somos um universo diferente. eu lembro das vezes que pensei que havia achado o grande amor da minha vida, foram diversas, porque eu gostaria que todos eles fossem grandes e me amassem como eu os amava, mas fui tão cega e necessitada de afeto. por que essas experiências criaram um déficit em mim? eu sou tão doente por dentro e não posso mostrar para ninguém desde que correriam ao ver essa sujeira. as pessoas que passaram na minha vida acabaram ficando numa espécie de fantasma e não há nada pior do que as assombrações de quem você amou. sei que ainda existem fragmentos dos sentimentos que me causaram - ainda lembro da madrugada onde trocamos mensagens sobre a nossa alma (a alma que carrega apenas os carmas dessa vida e não de outras), lembro da euforia por finalmente alguém estar olhando para mim (como se uma criança tivesse ganhado o presente que tanto desejava. você me tratou assim, tudo bem), de pensar que as minhas ideias combinavam com alguém e então eu teria alguém que entenderia o que escrevo (com a paixão e dor que eu coloco), de desenhar uma planta para a casa que todas dividiríamos porque nenhum homem estaria no meio de nós (e provavelmente não esteve, mas palavras não são totalmente sinceras), do cheiro que seu pescoço exalava e como minha risada cabia dentro daquele lugar (mas eu fui embora e foi o melhor). eu sinto que vivi apenas para sentir essas pequenas felicidades, porque a minha vida será cheia de tristezas e a própria “durará para sempre”. mas eu fico feliz por seguirem em frente sem mim, caso contrário, apenas teria parado a minha jornada porque eu só posso seguir sendo solitária (aqui dentro). 

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    1512677129
  • alguns dias são pesados, mas existem esses outros que fazem tudo valer a pena. as pessoas são como os dias. nublados ou ensolarados, quentes ou frios & calmos ou agitados. 

    é difícil compreender o meu espaço no mundo quando o próprio parece me chutar na cabeça para mostrar que eu não pertenço ou que não sou suficiente, mas apesar disso, existem as visitações de pequenos alienígenas que dizem que eu estou bem, que eu estou indo e não preciso fazer parte de tudo quando posso ser algo muito maior que isso. sou grata por esses dias onde o universo gosta de mim mais do que imaginaria.

    06 de dezembro de 2017

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    1512397574
    problemas
  • cansada de todos os meus clichês, mas é como o que foi dito “nada é criado atualmente, apenas reinventado” e imagino que todos os meus problemas já foram de alguém. mas não consigo acreditar que todas essas dores que parecem me dilacerar de dentro pra fora acabaram sendo entendidas. eu penso que eles apenas enfrentaram sem tentar compreender a fundo como se houvesse um grande bloqueio da parte sentimental deles, não é como se eu não tivesse tentando criar o meu; mas ele é tão disfuncional quanto a minha cabeça. eu sei que existe algo de errado comigo, eu sempre soube mas tentei não admitir para não ter que seguir além disso. por que eu sempre aceito a problemática como sendo responsável por ela? entendo que sou complicada e complexa e tenho costumes destrutivos, mas como os problemas que as pessoas tem comigo podem ser da minha causa? tenho um desejo profundo de me isolar para que não seja mais capaz de trazer imperfeições, mas o meu ego ou o meu coração (a respeito destes, não tenho muita certeza de quando cada um está no comando) diz que devo tentar mais, que posso aproveitar e sentir algo bom ao estar perto das pessoas. minha dualidade será a minha morte. o que eu sou? como eles realmente me veem? disse tantas vezes pra mim que se definir é se limitar, mas talvez nunca tenha o feito por não conseguir enxergar dentro da neblina que me desanima e que está em torno. como posso parar de me sentir culpada quando é automático assumir que não sou o suficiente? eu me afundo em todos os meus sentimentos de remorso e em indagações de coisas que eu poderia ter feito caso fosse mais (mais forte, mais corajosa, mais inteligente, mais caridosa). quão banal é tudo isso? espero não ficar aqui por muito tempo, apesar do efêmero desejo de poder “viver” e fazer algo grandioso, porque só tenho certeza de que não levarei esses sentimentos juntos - o carma pode fazê-lo e já me preocupa a errática que pode ser não desse corpo, mas dessa alma. 


    talvez eu mereça, talvez eu apodreça.  

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