estamos perto do natal e a data comemorativa costuma ser problemática para todas as pessoas que não tiveram uma família padrão (isso é, aquelas que permanecem juntas e sentem empaticamente uns pelos outros) e uma soma para os adolescentes “complexos” que preferem a introversão. não existe nenhuma razão para o que foi escrito, mas gostaria de adicionar que o espírito natalino ainda não me tocou e dificilmente irá fazê-lo. eu penso que sou egoísta, mas tenho a noção de que as pessoas ao meu redor conseguem ser mais ainda e costumam se alimentar da minha sensibilidade. quando eu era mais nova, acreditava que sentir muito era melhor do que não sentir nada, conhecendo o vazio existencial que toma conta da minha alma (eu realmente tenho uma?), entendo o que aquela ideia oferecia, mas não tenho tanta certeza disso conhecendo a destruição que minha afeição causa. eu estou cada vez mais doente e me sinto mais deslocada do que antes. não me sinto bem com meus pensamentos, meus sentimentos, meu físico, minhas relações e tudo que é sobre “mim”. não basta me fechar no meu próprio universo, porque está caótico e não é tão seguro estar sozinha. eu só consigo imaginar diferentes mortes para mim, enquanto meus parentes cobram alguma coisa. eu não estou presente o suficiente, eu não sou ativa o suficiente, eu não estou pronta pra vida o suficiente, eu não estou dando amor o suficiente. eu não sou o suficiente. e não importa o quanto eu tente preencher o meu vazio comigo, eu também não sou o suficiente. eu não posso fazer nada por mim, mas é certo de que estou tentando fazer algo pelo mundo. porém enxergo todas as minhas crenças diluídas e nada parece real ou valer a pena para continuar fazendo. preciso ser sincera e dizer que me afundei na ideia do futuro afirmando que um dia esse “presente” vai ser bom, então não preciso ficar sufocada com o que está acontecendo, mas não consigo trabalhar para gostar do que estou vivendo. não haverá futuro se eu não conseguir trabalhar no presente. tenho considerado procurar uma terapia para controlar a minha raiva, porque ela parece tão profunda, intensa e sincera ao ponto de dominar os meus órgãos (estou cansada de sentir dor no estômago) e por mais que tente repetir todas as técnicas que li; não surte efeito.
pareço uma fruta embolorada /
sinto como se meus sentimentos fossem água contaminada /
eles me enxergam como alguém que não faz questão de nada ou teve um mau dia
meus sentimentos são avalanches e estou me afogando neles. e como alguém que não tem a quem gritar, permaneço em silêncio enquanto cada fluído invade meus pulmões. eu vou morrer com essas sensações e ninguém será capaz de presenciar (muito menos, me ajudar).