hello there
vulcano
@fuckaneurysming
maiamero, 21 • conjunto expositivo de poesias visuais e textuais. expresso as minhas emoções com todas as linguagens que posso dominar e algumas vezes, utilizo a do outro para ser compreendida.
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  • a vida acontece
    e o milagre do nascimento é uma luta
    impulsionado para essa terra estranha,
    desde o primeiro respiro é necessário se erguer
    há combates fáceis e árduos; há guerreiros e sobreviventes
    em um ringue,
    bota-se as ataduras e eleva-se
    esperando vencer

    bom,
    eu não tenho vencido nada
    sinto que meu oponente sou eu
    eu que me conheço e eu que não tenho mais forças
    eu que quero desistir e eu que acredito não poder
    eu que tenho uma teimosia tão profunda quanto esse solo
    eu que tenho cicatrizes extensas como os rios do himalaia

    eu não sou calma, eu não sou veloz, eu não sou flexível
    eu já nem sou mais brasa, acredito que seja cinzas

    vejo, dentro de mim, a cólera do fim da guerra
    uma batalha egoísta que não entendo,
    mas que existiu e findou-se
    sem ganhos e com muitas perdas
    a impermanência não é o fim, a morte não é o que sepulta;
    a rigidez dos meus sonhos é
    um futuro inelástico é a única possibilidade não viável que assisto,
    que sinto e na qual, hipoteticamente, sobre"vivo".

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  • é como uma agulha no dedão
    tão profunda que não sou capaz de tirar,
    minha inflexibilidade não permite que eu a alcance
    a dor me faz buscar uma distração e logo me enrolo n'uma teia;
    mexo de um lado para o outro
    e sou transpassada pelo desconforto
    por que tenho que me acostumar com isso?
    por que estou tentando tornar isso comum?

    tão dolorida e sensibilizada -
    ainda assim, não sou capaz de ser ouvida pelos demais
    ninguém mais pode me salvar e isso me torna tão solitária
    anseio transformar o meu coração; uma rocha
    parece oportuno torná-lo em carvão
    posso facilmente queimá-lo até as cinzas e sucumbir
    ou manchar a todos por isso
    quero culpá-los [e essa amargura também pinta o meu interior]
    impactar suas almas para que o grande Juiz possa julgá-los
    mas todas essas memórias são criadas pela minha mente
    como posso parar de alimentá-los?
    como posso deixá-los me controlar?

    acreditei que o sofrimento poderia me tornar mais forte,
    mas corrompi o meu sistema com essas ideias -
    desde quando deixei de ser um organismo vivo para ser virtual?
    atravessada e modificada pelo exterior,
    não encontro um conforto nessa existência
    [sozinha ou comigo,
    sozinha ou com os outros]

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  • os Tempos inférteis chegaram
    e me pergunto como a existência das pessoas continuam
    pois pareço ficar presa em uma redoma
    [sem tempo]
    onde os pensamentos quase não chegam
    e as emoções se enrolam em seu próprio fluxo
    intercalando-se
    tudo está à flor da pele,
    mas não há nenhuma semente aqui
    a única vida presente, sou eu, e chego a duvidar disso
    as palavras alheias sussurradas chegam como uma lembrança antiga no fundo do meu cérebro:
    “a monotonia é uma oportunidade de se reinventar”
    mas todo o meu interior está apodrecendo
    -
    o último figo que caí e fica a mercê das possibilidades
    não servi de alimento, não fui pisada e estou intocada
    deteriorando de fora para dentro e algumas vezes, de dentro para fora
    como os artistas sobrevivem?
    mais do que um luto; este intervalo não para
    é melancólico e árduo
    o ar é tão denso que pesa nos pulmões e quase o vemos trazer a nossa permanência
    não há permissões para rezas [seja de agradecimento ou pesar]
    só o sentir
    mas já senti um ciclo inteiro e estou desaparecendo
    os Tempos inférteis chegaram
    e estou sucumbindo [a Eles]. 

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  • dia após dia,

    o cansaço de amar bate na minha porta

    eu que estava tão acostumado a balancear na cadeira

    - exilado -

    e olhar para a imensidão de um deserto

    tenho recebido visitas constantes

    implorando um pouco de pão e um pouco de colo

    mas há tão pouco para um velho como eu

    voltei de guerra a cinco anos atrás e me escondi nessa cidade esquecida por deus

    o sol banha todas as minhas feridas

    e deixa as cicatrizes mais evidentes

    tenho esvaziado a dispensa para dar aos necessitados

    esquecendo que vou sumindo junto dos cuidados

    querida, faz um tempo desde que alguém se atentou aos meus machucados

    mas pior do que o vermelho na pele

    é o buraco na minha alma que não pode ser visto por esses olhos

    a solidão da casa combina um pouco com a dor da guerra

    mas enquanto, eu lutava para viver do outro lado do mundo

    aqui me encontro batalhando para sobreviver mais um dia

    e gostaria de não te desanimar,

    mas meu sonho está desaparecendo como a vegetação escassa 

    quero encher o meu copo com álcool, mas prometi a mamãe que não voltaria para essa vida boemia

    a verdade é que me transformo em alguém que não me orgulho

    no entanto, já não gosto muito de quem eu sou agora

    estou me perdendo quando dou tudo de mim para os outros

    o autocuidado não é uma prática ensinada aos homens da minha época

    e como o cenário que eu encaro pelas manhãs

    pareço um pouco esse ermo 

    - infértil e vazio -

    oco do amor que nunca dei para mim ou recebi em troca

    e vou seguindo,

    dia após dia,

    esforçando-me para ser gentil com esses desconhecidos

    até que chegue a minha hora.

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    1611358935
  • há um lobo entre as lacunas da escuridão
    omitido-se com as pelagens dentro do gris das cordilheiras
    lá fora é lúgubre,
    a fome que ingressa nessa carne é opressora
    e não só cega, mas consome o interior como um parasita
    trazendo cólera para as pobres almas

    um inimigo silencioso caminha
    onde seu espectro brilha diante da introspecção
    olhe!, ele sussurra
    enquanto falho em meus passos,
    caindo sobre pernas e pedras - iludido e traído
    encarando para o miserável reflexo revelado
    o quê?, as palavras são cuspidas com amargor

    sabemos quem é;
    o tirano está por aí e todos sabem
    espalhando o seu veneno como antídoto
    escapando das tropas de controle
    sendo hospedado pelos camponeses dessa vila
    como se fosse um herói trazendo descanso
    e não, luto

    você! você! você!, as vozes ecoam em culpa
    ressoando como um mantra em meu tórax
    - pulsando como as trombetas na queda de lúcifer -
    o predador sou eu, a presa também
    rastejando sob a carne apodrecida,
    nutrindo o horror que cresce nas vísceras 
    após aniquilar cada devoto
    e pronto para parir o meu próprio calvário.

    [eu sou a escuridão e tudo que nela habita]

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    1611108875
  • na solidão da escuridão
    onde um quarto é grande demais para uma pessoa
    o que mantém a sua luz acessa?

    eu tenho vivido dia após dia com uma esperança
    que finalmente seja capaz de mudar
    onde possa lutar ou simplesmente dizer adeus
    o amanhã poderia não nascer para mim
    ou seria uma nova chance

    as conquistas que tenho alcançado são solitárias
    & o vazio permanece sendo escavado
    não encontro nenhum conforto,
    sem um calor para fazer essa dor ganhar sentido

    esperando que o ponto vermelho que pisca no horizonte
    seja um aviso divino que vou encontrar o que espero
    mas “eu te amo” não pode curar as rejeições antigas,
    “me desculpe” não pode apagar os erros cometidos
    e algumas ações são perdidas; não se pode ganhar em tudo 

    a zona de conforto se tornou uma zona de guerra
    volto para o mesmo lugar depois de me desafiar
    parece que estou em um circuito assistido
    nenhum passo a mais pode me levar para frente

    como animais enjaulados vivendo entre grades;
    como eu poderia saber o meu caminho
    quando toda liberdade que existe me foi tirada?

    quando encaro o meu reflexo
    dentro dessa confusão -
    eu sei que essa mente que tanto me oprime
    é o único lugar que poderia oferecer essas respostas
    e esse coração que está remendado
    é a ferramenta para enxergar o mundo

    mas estou machucada demais
    e cansada também [para descobrir isso]

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    1609813569
  • eu olho pro mundo e penso que não posso sobreviver a ele
    não sei como posso continuar os meus dias quando acredito que o pior a se fazer é sentir
    e não há como ficar invisível para os obstáculos
    minha mente constantemente se divide
    eu não sou a pessoa do espelho
    não sou a pessoa que tem esses pensamentos
    e não sou nada entre esses dois
    tenho envelhecido e endurecido como quando entramos em choque e paralisamos
    estive buscando o vazio para conseguir preenchê-lo e me sentir em paz
    mas depois de pressionar tantas peças erradas no meu peito
    encontro-me com a desesperança que torna tudo cinzento
    e quase superficial
    quero fugir mais uma vez - agora não só das pessoas, mas de mim
    eu não quero estar aqui. não quero ficar aqui nem mais um dia.
    declaro que ser humana é um castigo à minh’ alma
    consumido toda a minha essência e moldando-me obrigatoriamente
    para continuar transmutando é necessário energia,
    o que resta é pouco; tenho menos crenças e força de vontade.
    é um limbo e um labirinto
    como tudo que conheci e aceitei, 
    a dualidade parece fatal, então
    os altos estão para ser descobertos 
    e os baixos são cascatas que se alongam no decorrer das experiências 
    eu estou doente 
    e essa falha no meu espírito que não pode ser preenchida com argila me traz agonia 
    a mortalidade que parece o ápice da própria vida torna-se um castigo; 
    a vergonha que deve ser carregada 
    porque eu sou totalmente responsável e ainda assim, a coitada 
    como posso permanecer nessa dimensão que tem se tornado um teste de resistência? 
    tudo que é bom dura pouco 
    e tenho sofrido ao lutar contra o mau.

  • 2 notes
    1608265174
  • a água leva tudo e se pudesse gostaria que ela me levasse -
    estou exausta de ser como um recipiente ou um soluto
    quero ser o vazio que é impassível. o tédio que desperta a criação divina,
    pois estou farta de ser humana
    em minha humanidade devo aprender sobre as coisas que inerentemente sei, mas esqueci - imergi e reprimi em meu inconsciente
    e cada reconhecimento é vida em morte - solve et coagula
    mais do que ser, almejo experienciar já que essa matrix do desempenho me impede de não tentar ser melhor do que sou
    e me obriga a buscar inúmeras formas de ser uma versão superior do que essa.
    a tarefa é árdua. um peso.
    a existência tem sido tão melindrosa que me pego em uma situação de peso-pedra, ao ser atirada, faço barulho e afundo - junto com os meus sonhos;
    esses que eu enterrei na escuridão de lilith
    rastejando no abismo que não sou capaz de encarar desde que minha visão foi arrancada pela cólera.

    o som da criação vibra em um padrão por todas as partículas do meu corpo - os átomos reconhecem a batida primitiva e se materializam a partir do om;
    mas a ansiedade, a desesperança e a velocidade do mundo moderno invadem o meu sistema como um vírus e não há uma salvaguarda para revidar 
    - é a anarquia do espírito -
    logo, tudo que posso perceber é o tambor que traz o fim
    e dele, só repercute o caos anterior ao recomeço
    meu espírito atinge um novo limite - dado não a favor da escassez, mas ao excesso.
    e é aqui onde começo acreditar que devo parar de buscar pela divindade e aprender a lidar com a minha humanidade -
    a oposição é que quando a encarei, encontrei um grande abismo que poderia me devorar
    e não conheço muitas pessoas que iniciariam uma jornada que não se pode vencer (pois não há ponto de chegada, apenas de partida)
    as axiomas me acertam e estimo algo mais uma vez:
    anseio em ser como a água e despedaçar essa lápide que se coloca no meu fluxo e não permite a movimentação;
    quero limpar e benzer essas memórias como se fosse o mar -
    santo e salgado.
    quero ser terrena e divina - equilibrada.

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    1606012685
  • me desculpe, mãe
    mas eu gostaria de ser qualquer outra pessoa que não fosse eu mesma
    porque quando eu olho para os outros
    vejo um futuro que não consigo acreditar existir para mim;
    eu fugiria  
    enterrando todos os pensamentos que me assombram
    apagaria esses dias que parecem todos uns iguais aos outros
    não só a cópia da cópia - mas uma cópia que nunca se repete,
    nunca melhor do que a anterior.
    transformaria esse corpo que tanto castigo em pó
    e descansaria sob a areia de tulum
    eu sou fraca, pai
    e não há como uma covarde ser heroína,
    então continuo apenas me lamentando e sobrevivendo
    rastejando com esse buraco em meu peito
    e com esse tornado em minha mente
    sonhando com o dia que vou acordar e perceber que essa realidade era um pesadelo
    e como eu desejo -
    desejo tanto que quase posso viver outra vida em sono
    onde eu sei quem eu sou
    e não alimento os lobos que me consomem.
    eu destruiria tudo se pudesse
    mas eu estou ficando velha e estou cansada do meu  ego -
    e das pessoas, das provações, das suas regras e das conversas
    então a minha jornada torna-se uma lareira que finda após o inverno
    sem função; sem esperança.
    eu pediria a deus, se ele existisse, que mandasse um segundo dilúvio
    para transformar esse vulcão em erupção
    [que eu sou]
    em uma montanha;
    e finalmente encontraria um descanso nessa terra.
    mas tudo isso é utopia
    então continuo acordando e sendo eu mesma, mãe
    os meus medos continuam me arruinando, pai
    estamos todos sós, porque deus não existe
    e ninguém pode me impedir de cavar mais ainda o vazio da minha alma.

  • 4 notes
    1601419871
  • o meu sangue não é azul;
    e não há um espaço gélido dentro desse corpo
    o meu peito borbulha feito lava
    protegido por uma casca ígnea como kintsugi;
    o dourado cambiado por laranja que gera náuseas 
    e suor;
    o que me mantém viva é o calor que brilha entre as lacunas
    e ele queima;
    criando um eterno deserto
    [emocional]
    mais do que excitar, o meu amor
    deforma
    - seca toda água interior -
    como um desastre natural que encanta à distância 
    e danifica [a]o próximo.

    crio alucinações para o espetáculo que é encontrar esse esmo;
    aprisionando e desnutrindo até o extermínio meus visitantes. 

    [eu sou a Terra - com as inúmeras artimanhas que pode destruir a si mesmo e seus moradores]

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