hello there
vulcano
@fuckaneurysming
maiamero, 21 • conjunto expositivo de poesias visuais e textuais. expresso as minhas emoções com todas as linguagens que posso dominar e algumas vezes, utilizo a do outro para ser compreendida.
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  • [a criação do cataclismo]

    morando entre as camadas,
    instalando-se em profundidade
    - silêncio -
    como uma cobra que rasteja sob a água
    calma e paciente
    a estranheza é ignorada
    pela fixação que a hipnose traz

    - linha tênue entre ordem e anarquia -

    esse estado é tão similar a lógica
    naturalmente porque tudo que requer início
    necessita de um fim

    - o ciclo é anunciado! -

    e os términos que existem em mim
    são caóticos
    como vulcões entrando em erupção
    ou furacões destruindo vilas inteiras
    - ocasionalmente -
    não sou iniciadora de nada,
    mas faço parte de todos os fins
    como um parasita viral
    intercalo as vítimas
    e as ofereço caos embrulhado em dedicação
    finalizando todas suas grandes obras
    porque tudo que reside
    entre as lacunas que não são iluminadas,
    que sobrevivem no meu inconsciente
    é o caos.

    [melancolia pós-apocalipse chega]

    o fim é anunciado em trombetas celestiais
    um standard de hieronymus bosch
    o inferno não são os outros,
    mas as faces que buscam protagonismo
    falando em meu cérebro,
    - sussurrando, gritando, criando -
    e nunca se calando
    um elenco de lesmas devorando o cadáver
    esse corpo também é meu
    e as lesmas também fazem parte de mim

    - o curso é sempiternal [samsara!] -

    e fico presa em minha armadilha,
    a viúva negra enrolada em sua própria teia.
    [a hierarquia é cármica]

    tudo que está fora da visão
    parece inexistente,
    a matrix silencia a desordem
    consentindo com a alienação
    e a ferida nunca para de sangrar.
    - vermelho pinta o cenário -
    e voltamos para a origem.

    [silencioso e sangrento]

  • 1 note
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  • ontem Você veio até mim!

    as esmeraldas que vivem no seu interior brilharam em minha direção como grandes faróis que gritam:
    - Você está viva!,

    continuo dizendo que rastreou a Mim
    enquanto viajei entre as possibilidades do universo e no infinito d'Um sonho Te encontrei. dormindo e consciente da Verdade. olhei em seus olhos e despi-me da raiva e do ódio. dei a Ti permissão total de desnudar toda a minha não-materialidade e fui forte. o Amor tocou cada sombra que fica oculta em meu inconsciente e iluminou todas as extremidades que me afastam do divino. Eu Mereço. Você Também. retirei o manto da ignorância que me aquecia em solidão e percebi que somos Um. a projeção que acredito ser Você, sou Eu porque juntos Somos. e toda beleza viva em Ti, vive em Mim.

    hoje Você sorriu!

    logo o nosso Espírito dançou livremente pela Terra Sagrada que habita em Mim e existe em Ti.

    (a Salvação vem através de vias ocultas, mas a Verdade sou eu)

  • 1 note
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  • estou novamente na borda
    e esse lugar costuma ser mais familiar do que os outros
    surgem os pensamentos, os sentimentos e os desejos
    como um fungo que só pode ser percebido depois da própria evolução
    essas ideias brotam sem a necessidade de rega,
    iluminação ou de cuidado
    suas raízes são cravadas em cada espaço da minha mente
    e na escuridão posso identificar o reflexo distorcido
    é a minha persona e o meu ego - um só
    quantas vezes vou continuar arruinando a mim?
    destruindo os meus verdadeiros sonhos e transfigurando-os em pesadelos alheios
    - a verdade é que como um furacão, não poupo nenhuma residência
    sou eu e o outro em demolição
    em estilhaços expostos para que possa ferir e chocar
    mãe, você já se sentiu assim?
    é por isso que você sempre nos manteve do outro lado da redoma?
    todos os demônios que falam dentro do meu sono
    são as minhas divisões
    e ser apenas um “eu” nunca vai ser o suficiente,
    então permito que eles me puxem para o inferno
    e cada passo é uma autossabotagem declarada em forma de dança
    vagueio por cada departamento da minha vida e ateio fogo pelos andares
    tudo está em chamas e o bicho-papão decide que o meu romance não é tão brilhante,
    o sangue não é tão quente, as comunicações não são presentes e eu,
    eu não sou equilibrada.  

  • 5 notes
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  • adormecida em sua memória e
    viva em uma fotografia apagada
    que se esconde no bolso traseiro
    o pretérito nunca pareceu tão longe em uma mente cheia de lembranças
    com poucos arrependimentos e um bocado de acertos
    é necessário readaptar para seguir em frente e o que eu era foi -
    remodelado, estancado e dividido
    paralisada observo todo o seu futuro brilhante
    ao passo que como uma vela
    derreto-me em lágrimas e minha luminescência sucumbe a solidão
    não há ninguém,
    nem para suprir ou fomentar
    o retrocesso é tangível em uma mente infantil
    onde existia amor, compete o medo
    e a alegria é governada pela ira
    espalhando-se como a cólera viral
    eu sou os ossos jogados sob os pratos e lançados ao lixo
    incômodo e quase descartável para uma família faminta
    não sento à mesa, pois meu sofrimento serve de nutrição
    e não permaneço mais do que o suficiente
    visto que um espírito pobre incomoda.
    você não quer mais reviver o passado e sem espaço para me ocultar -
    sou desfeita no acaso da sua amnésia.

  • 2 notes
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  • com licença!
    por favor!
    deixe o caminho livre!
    estou com pressa, pressa.
    eu tenho pressa.
    a preocupação me domina e o estresse surge coo uma lápide no caminho
    despenco e paraliso no meio - do roteiro ou da vida?
    eu não sei
    mas estou entorpecida e a movimentação ocorre rápida demais para que possa ser assistida
    não consigo levantar e não tenho forças para avançar
    o meu coração aperta
    as minhas costas são miradas
    como um cervo diante do caçador agarro-me ao último suspiro e dói
    ninguém parece notar
    andam ao meu redor sem pressa, sem precaução
    o desespero surge como uma faca cravada na espádua
    sou inseparável com o aço e me sinto um fracasso
    fui uma criança prodígio
    crescida em uma redoma de vidro e atirada avante dessa na segunda década do outono
    eu não sou especial,
    eu não sei o que fazer e eu não sei quem eu sou
    tenho pressa para descobrir, tenho pressa para alcançar
    e tenho pressa para ir embora desse delírio
    o mundo foi capitalizado
    e eu não suporto a minha mente rodando mais rápido que suas engrenagens para associar essa verdade
    eu não quero ser deixada para trás
    mas a globalização está acabando com tudo
    com meus sonhos e poemas
    eu não tenho paz e não posso mais acompanhar
    eu tenho pressa,
    mas não tenho direção
    e logo, nem respiração.

  • 2 notes
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    eu sei
  • eu sei, eu sei, eu sei.
    repito incessantemente não porque eu sei
    mas porque gostaria de saber
    e, aqui, fica evidente minha falha de conduta
    eu quero saber, mas não quero que me diga
    não quero respostas prontas,
    mas quero saber da mesma forma que sabemos respirar ao chegar nesse mundo
    instintivamente 
    quero saber porque sinto que nada mais me resta,
    porque nada mais me basta, porque nada mais me cabe
    então apelo ao deus que duvido e peço por um milagre
    nunca chega e não entendo se sou eu ou se é ele
    não existe ou não mereço?
    e mais uma vez, eu quero saber
    eu quero saber qual é a ordem das coisas
    e quero entender
    qual é o meu lugar?
    é o que eu quero saber. é o que eu sei.

  • 0 notes
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  • a tristeza encontrou um novo descanso entre as minhas lacunas,
    como se não fosse o suficiente, a sua estadia repentina
    trouxe consigo centenas de pensamentos ou mais
    e como um afogamento que costuma ser silencioso,
    rapidamente fui engolida e consumida.
    o meu verdadeiro eu encontra-se desacordado
    e os meus pulmões são preenchidos por um desespero que não pode ser gritado.
    eu quero deitar e me enrolar sob os meus ossos até desaparecer
    como um barco que some no horizonte diante de olhos curiosos,
    mas a única espectadora dessa tragédia é a minha mente.

  • 0 notes
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  • me vejo sumindo nesse corpo 
    evadindo pelos dígitos como poeira
    até que não haja nada.
    principalmente, eu. 
    descobri que tenho medo da morte, 
    logo me conforto com ilusões, digo que o mundo é perigoso demais e sensível de menos;
    mas a verdade é que já fui grande o bastante para incomodar &
    me diminui para caber, 
    menos, menos e menos, 
    virou um hábito e contudo
    é pouco o que me resta. 
    tão pouco que estou sumindo, 
    me escondendo, voando, desaparecendo. 
    consumindo a mim mesma.
    em estado de paradoxo — gato de schrödinger — morta e viva.
    sem luz, pouca carne e muito medo.

  • 1 note
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  • a melancolia atinge em um strike surpreso,
    tudo que me alcança é criado na mente
    - a saudade que nunca existiu, o amor que nunca foi dado
    a vida que nunca foi minha
    o espírito fica abalado e a materialidade permanece intacta
    tudo é fruto de anos de solidão
    então esta conjuntura acabou sendo arquitetada
    mas a inquietação abala toda a estrutura,
    a escuridão que antecipa o nascimento me assombra
    eu tenho medo do escuro!
    eu tenho medo de realizar sonhos!
    eu tenho medo da vida
    há duas décadas que sobrevivo da minha imaginação.
    como posso supostamente saber que vou chegar ao topo após estar tão fundo?

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  • excerpt from Hurry, Octavio Paz.

    In Octavio Paz: Selected Poems, ed. Eliot Weinberger

  • fuckaneurysming

       Desde quando eu abri meus olhos pela primeira vez, eu sabia que meu lugar não era aqui onde estou, mas onde eu não estou e nunca fui. Em algum lugar há um lugar vazio, e esse vazio será preenchido comigo e eu vou me sentar naquele buraco que vai me incomodar, borbulhar comigo até que ele se torne uma fonte ou um gêiser. E então meu vazio, o vazio do eu que eu sou agora, vai se encher de si mesmo, encher até a borda de ser.
       Estou com pressa de ser. Eu corro atrás de mim, atrás do meu lugar, atrás do meu buraco. Quem me reservou esse lugar? Qual é o nome do meu destino? Quem e o que é que me move e quem e o que aguarda a minha chegada para completar e me completar? Eu não sei. Estou com pressa. Embora eu não me afaste da minha cadeira, embora eu não saia da cama. Embora eu rode e gire na minha gaiola. Pregado por um nome, um gesto, um tique, eu me desloco e despareço. Esta casa, esses amigos, esses países, essas mãos, esta boca, essas letras que formam essa imagem que, sem aviso prévio, desapareceram, não sei onde e me acertou no peito, esse não é meu lugar. Nem isso, nem esse é o meu lugar.  

    [tradução livre]