hello there
vulcano
@fuckaneurysming
maiamero, 21 • conjunto expositivo de poesias visuais e textuais. expresso as minhas emoções com todas as linguagens que posso dominar e algumas vezes, utilizo a do outro para ser compreendida.
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o passado em nossas lembranças sempre parece menos amargo.
  • eu percebo isso quando olho para trás e consigo sentir a nostalgia me invadir aos poucos, quando consigo enxergar os bons momentos que existiam dentro da bagunça que me encontrava e apesar de dizerem que isso é maturidade, eu vejo como sadomasoquismo. todo o meu passado foi infeliz, porque sempre fui metade - permiti me dissolver nos poucos alheios para que pudessem transbordar como se aqui dentro já não fosse vazio o suficiente para eu me doar. eu procurei tanto o amor que ele rasgou as minhas pernas, ainda sinto as feridas que foram abertas e como ardem em contato com a água. eu quis fazer parte e não nego que ainda desejo me encaixar em algo como as peças certas de um quebra-cabeça mesmo sabendo que somos pedaços de estrelas e como tal, juntos somos um universo diferente. eu lembro das vezes que pensei que havia achado o grande amor da minha vida, foram diversas, porque eu gostaria que todos eles fossem grandes e me amassem como eu os amava, mas fui tão cega e necessitada de afeto. por que essas experiências criaram um déficit em mim? eu sou tão doente por dentro e não posso mostrar para ninguém desde que correriam ao ver essa sujeira. as pessoas que passaram na minha vida acabaram ficando numa espécie de fantasma e não há nada pior do que as assombrações de quem você amou. sei que ainda existem fragmentos dos sentimentos que me causaram - ainda lembro da madrugada onde trocamos mensagens sobre a nossa alma (a alma que carrega apenas os carmas dessa vida e não de outras), lembro da euforia por finalmente alguém estar olhando para mim (como se uma criança tivesse ganhado o presente que tanto desejava. você me tratou assim, tudo bem), de pensar que as minhas ideias combinavam com alguém e então eu teria alguém que entenderia o que escrevo (com a paixão e dor que eu coloco), de desenhar uma planta para a casa que todas dividiríamos porque nenhum homem estaria no meio de nós (e provavelmente não esteve, mas palavras não são totalmente sinceras), do cheiro que seu pescoço exalava e como minha risada cabia dentro daquele lugar (mas eu fui embora e foi o melhor). eu sinto que vivi apenas para sentir essas pequenas felicidades, porque a minha vida será cheia de tristezas e a própria “durará para sempre”. mas eu fico feliz por seguirem em frente sem mim, caso contrário, apenas teria parado a minha jornada porque eu só posso seguir sendo solitária (aqui dentro). 

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