minha cabeça dói e diz que eu não tenho tempo. é incrível como eu nunca tenho tempo para as coisas que preciso realmente fazer, mas arrumo uma parcela da minha vida para desperdiçar com os meus pequenos prazeres. eu quero sentir mais vezes o sol cobrir a minha pele porque acredito que encontrei deus nessa parte da natureza que ilumina, que aquece, que alimenta, mas dificilmente saio do meu próprio quarto porque as probabilidades infinitas me assustam. eu digo inumeras vezes que sou medrosa. minha mãe costumava dizer que eu era extremamente corajosa, meu apelido era “serelepe” então como diabos alguém assim pode se fechar? é como se minha existência fosse literalmente o ciclo contrário das flores. nasci desabrochada para me fechar no inconstante viver. quero escrever sobre o mundo e cozinhar as coisas mais loucas de maneira que as pessoas que eu mais me importo (essas não são muitas) provem e gostem. gostaria de agradar tanto que as pessoas pensariam “como eu posso viver sem esse ser humano?” e o mais engraçado é que diariamente reafirmo a minha falta de vontade de viver. não existe uma real apreciação pela minha estadia no mundo. não do meu ponto de vista. mas estou tentando reorganizar as coisas, mesmo com essa dor de cabeça que diz que eu não tenho tempo. eu não sou capaz de viver tudo que meu coração sonhador imaginou. a verdade é que sou romântica de carteirinha. a solidão com um combo de livros de fantasia me ofereceram esse ponto de vista, de modo que, a minha realidade e traumas não suportam. mas amanhã é sempre um novo dia e eu posso tentar. como estou tentando ser realmente sincera.
o que é o tempo?